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GARIMPO PAGAVA PROPINA EM OURO DENTRO DE PREFEITURA NO AM, DIZ PF
A Polícia Federal (PF) descobriu que garimpeiros pagaram propina no interior da secretaria municipal de Meio Ambiente de Jutaí, no Amazonas para manterem a prática ilegal na região. A propina era paga em ouro ou dinheiro. O grupo acreditava que assim manteria a fiscalização afastada.
Nessa quarta-feira (20), a PF no Amazonas cumpriu dez mandados de busca e apreensão e dez medidas cautelares durante operação Uiara III, que investiga o garimpo ilegal. Entre os alvos estavam o prefeito da cidade, Pedro Macario Barbosa, secretários e assessores municipais.
A terceira fase da operação ocorreu em Jutaí e em Manaus. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços de investigados na cidade, que fica no sudoeste do Amazonas. Na capital, a operação ocorreu em um condomínio onde o prefeito tem uma casa.
Já entre as medidas cautelares está o afastamento do cargo e de funções públicas, de acesso à prefeitura de Jutaí, além da cassação de autorizações de garimpos de minério ilegal.
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Pedro Macario Barbosa é suspeito de chefiar um esquema que usa a Prefeitura de Jutaí e secretarias para cobrar propina de garimpeiros que atuam ilegalmente na região. Conforme as investigações, os valores eram pagos em ouro ou dinheiro em espécie.
O ESQUEMA
De acordo com as informações, os alvos da operação também cobravam propina dos donos de postos que vendiam os combustíveis para as dragas usadas em garimpos na região. O pagamento garantiria que a prefeitura fizesse vista grossa para a prática ilegal.
A operação desta quarta é resultado de uma investigação que começou em 2019 após a prisão de um garimpeiro. De acordo com as investigações da PF, alguns garimpeiros queriam pagar propina ao prefeito Pedro Macario Barboza enquanto outros destinavam o pagamento à secretaria de Meio Ambiente.
A irmã do prefeito foi presa em flagrante, nesta manhã, por estar de posse de ouro e R$ 40 mil em dinheiro. O prefeito de Jutaí, Pedro Macario Barboza, foi afastado por decisão da Justiça. A PF suspeita que Barboza tenha a sua própria draga para retirar ouro do rio e lucrar com o garimpo ilegal.
Em novembro de 2021, o prefeito foi preso pela polícia com 200 gramas de ouro no aeroporto de Tefé quando tentava embarcar com destino a Manaus. De acordo com a PF, toda a atividade de extração de minério na região é ilegal.
OPERAÇÕES ANTERIORES
Em nota, a Polícia Federal disse que a operação Uiara I teve como objetivo a desintrusão [retirada] de garimpeiros ilegais na região de Autazes e Nova Olinda do Norte. Na ocasião, foram destruídas 131 balsas, sendo três pessoas presas com 150 gramas de ouro extraído ilegalmente da calha do Rio Madeira.
A Operação Uiara II também teve por objetivo a desintrusão de garimpeiros ilegais na região de Borba. Nessa fase do trabalho da PF, foram destruídas 34 balsas.
O órgão também disse que toda a atividade de lavra de minério na região é ilegal e que as ações objetivando a desintrusão de garimpeiros continuarão a ser realizadas, assim como serão estendidas no decorrer do ano a outras regiões do Amazonas.