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T�cnicos vistoriam f�brica de ur�nio em Resende

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Três técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), fizeram ontem, por seis horas e meia, uma vistoria na fábrica de enriquecimento de urânio em Resende, no Rio de Janeiro. A missão, comandada por um norte-americano, é composta ainda por um francês e uma sul-africana. Por uma questão de sigilo, seus nomes e cargos não foram divulgados. A equipe chegou a Resende por volta das 11h, acompanhada de três técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e três da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc). A fábrica das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) foi construída numa área de 600 hectares de uma antiga fazenda. Entre árvores, gramados bem aparados e casas em estilo colonial, onde fica a parte administrativa, erguem-se dois imensos prédios de concreto em forma de caixotes. A unidade onde o urânio será enriquecido, com 25 mil metros quadrados, é a que interessa à AIEA. Hoje, o urânio extraído do Brasil é enviado ao Canadá para ser transformado em gás. Viaja à Europa (Alemanha, Holanda ou Inglaterra) para ser enriquecido, voltando, então, ao Brasil. Nos dois módulos já em operação dessa unidade em Resende, o gás é transformado em pó e, posteriormente, em pastilhas. Quando o terceiro módulo, onde estão as centrífugas de enriquecimento de urânio, estiver funcionando, a etapa européia será aos poucos abandonada. Para operar, o Brasil espera a aprovação da AIEA. O objetivo da vistoria da agência foi verificar a possibilidade de fazer uma inspeção formal à fábrica sem ter acesso total às centrífugas. Os técnicos mantiveram-se a 22 centímetros das centrífugas, das quais estavam separados por um painel. O Brasil não aceita mostrá-las, sob alegação de que o modelo desenvolvido tem avanços tecnológicos que devem ser mantidos em sigilo. O temor da AIEA é que o país use a técnica de enriquecimento de urânio para a produção de armas nucleares, o que contrariaria tratados internacionais assinados pelo governo brasileiro. Desde o início de abril, quando tiveram início as negociações, a AIEA insistia em ter acesso irrestrito às centrífugas. Com o impasse, os dois lados resolveram ceder um pouco. O Brasil permitiu uma visão maior das tubulações, válvulas e conexões ligadas às centrífugas. Já a agência aceitou ir a Resende para verificar a possibilidade de fazer o trabalho sem ver as centrífugas. Sempre acompanhada por brasileiros, a equipe da AIEA percorreu a unidade de enriquecimento de urânio por todo o dia, encerrando seus trabalhos por volta das 17h30. Pararam para almoçar peixe com pirão, no restaurante da fábrica. Na saída, tiveram que pedir guarda-chuvas para enfrentar uma forte chuva que caiu repentinamente sobre a região. Em reunião, hoje, os técnicos da agência darão seu veredicto aos membros da Cnen. Caso considerem que a inspeção é possível, uma nova equipe deve chegar ao Brasil em cerca de 15 dias.

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