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Justi�a move a��o milion�ria contra Maluf
A Justiça Federal acatou pedido do Ministério Público de abertura de processo por improbidade administrativa contra Paulo Maluf e do bloqueio de bens da família do ex-prefeito e de empreiteiras suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção. O interrogatório já está marcado para dezembro. Uma das ações pode envolver mais de R$ 5 bilhões. Outra é de cerca de R$ 400 milhões, correspondente ao valor dos recursos desviados de obras da prefeitura por Maluf e empreiteiras durante sua gestão de 1993 a 1996. Os promotores passaram três anos investigando denúncias de desvio de dinheiro público durante a gestão do ex-prefeito de São Paulo. Foram analisados mais de dez mil cheques e 20 quilos de documentos bancários da Suíça. O Ministério Público Estadual investigou os desvios de recursos de obras públicas, como a construção da Avenida Água Espraiada. A investigação surgiu com um ofício enviado pelas autoridades do paraíso fiscal de Jersey, solicitando informações sobre uma conta aberta em nome de Paulo Maluf e familiares, que teria um saldo de US$ 200 milhões. Os beneficiários da conta seriam o próprio Maluf, sua mulher Sylvia Maluf e os filhos do casal, Flávio Maluf, Ligia Maluf, Lina Maluf e Octavio Maluf. Também aparece como beneficiária Jacqueline Maluf, mulher de Flávio Maluf. Segundo Silvio Marques e Sérgio Turra, dois dos oito promotores que entraram com a ação, Maluf recebeu propina de dinheiro desviado da construção da Avenida Água Espraiada e do túnel Ayrton Senna, enquanto ele era prefeito (1993-1996). Silvio Marques disse que Maluf recebia de 20% a 30% do valor de cada obra. As duas custaram, segundo promotores, US$ 1,2 bilhão. Os promotores disseram que as empreiteiras responsáveis pelas obras da avenida e do túnel subcontrataram empresas fantasmas, que enviaram dinheiro para o exterior. ?Constatamos claramente o desvio de dinheiro público do município de São Paulo, que contou com a participação de agentes públicos. Maluf exigiu propina das empreiteiras e elas contrataram pequenas e médias empresas que emitiam notas fiscais e faturas falsas?, disse Silvio Marques. Segundo o promotor, a maioria do dinheiro passava pelos Estados Unidos via Banestado e seguia até a Suíça. Marques afirmou ter recebido documentos de Jersey, Estados Unidos e Suíça, que estão sob sigilo. ?Esta é apenas a primeira parte do processo. Vamos ainda investigar o caminho exato desse dinheiro e se existem mais contas no exterior?. Os promotores afirmaram, ainda, que investigarão o possível envolvimento de outras empresas no esquema, ligadas ao transporte e à coleta de lixo. Maluf nega qualquer irregularidade em sua passagem na Prefeitura e também a existência de contas em seu nome ou de familiares em Jersey ou em qualquer paraíso fiscal. O ex-prefeito e seu filho Flávio foram indiciados na semana passada, pela Polícia Federal, por cinco crimes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato (apropriação de dinheiro público). Sobre a ação da Promotoria por improbidade administrativa, afirmou, por meio de sua assessoria, que, ?finalmente terá oportunidade de se defender de crimes que nunca cometeu?. Ele também acusou os promotores, em nota, de tentarem beneficiar José Serra (PSDB), que concorre à prefeitura.