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Governo quer ampliar discuss�o sobre programa nuclear no pa�s
Ministério da Ciência e Tecnologia quer ampliar a discussão sobre a retomada do programa nuclear no Brasil, inclusive com a participação de opositores conhecidos como o Greenpeace, que ontem realizou manifestações de repúdio ao programa. Na abertura do X Congresso Brasileiro de Energia, um representante do Greenpeace manifestou a indignação da entidade durante a palestra do secretário de Energia do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, quando ele defendia a construção da Usina Angra 3. Horas antes, um grupo da mesma entidade havia se algemado à porta do Instituto Nuclear Brasileiro, no bairro de Botafogo, no Rio. ?Existem outras alternativas de geração de energia no país sem ser nuclear. Não sabemos nem como vamos tratar os resíduos que já existem?, disse o manifestante Marcelo Furtado, retirando-se pacificamente em seguida. O representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Francelino Grando, presente no evento, concordou com a preocupação sobre os resíduos nucleares, mas destacou que o país não pode jogar fora investimentos que já foram feitos para a construção de Angra 3. ?Angra 3 é uma decisão já tomada, onde já foram investidos imensos recursos da sociedade brasileira e certamente isso exige uma avaliação diferente da projeção de construção de novas usinas?, disse a jornalistas Grando, referindo-se aos planos do ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Gomes de construir mais quatro usinas no país. Ele afirmou que, além da energia nuclear, o país tem questões importantes em andamento, como o início do uso de biodiesel, em novembro. A partir do mês que vem, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai permitir a mistura de 2 por cento do biodiesel ao óleo diesel. A intenção é aumentar essa porcentagem para 5 por cento no ano que vem, antecipando em anos o prazo original. Gandro também destacou que o Brasil poderá ganhar a dianteira na produção de célula combustível a partir do etanol, um combustível renovável, ao contrário do movimento mundial de utilizar o metanol, a partir do combustível fóssil. ?O que o Brasil já fez foi isolar laboratorialmente o hidrogênio a partir do etanol, isso nos dá vantagem competitiva no futuro?, disse o executivo, estimando que o novo combustível estará sendo usado em meados deste século. Para transformar a experiência laboratorial em escala industrial, o ministério investiu 2,5 milhões de reais este ano e vai repetir o valor em 2005, informou Gandro.