Nacional
Rigotto defende sa�da do PMDB do governo Lula ap�s elei��es
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, defende que seu partido, o PMDB, deixe os cargos que ocupa no governo Lula após as eleições municipais. Em entrevista, ele afirmou que o PMDB deve sair do governo para começar a reconstruir uma identidade própria, que teria sido perdida ao longo dos últimos anos, e, depois, pensar em emplacar candidatura própria a presidente em 2006. ?Esse projeto pode significar uma candidatura própria a presidente da República. Pode até ter isso, mas tem que ser conseqüência daquilo que vamos ser como partido?, afirmou Rigotto. Sua proposta deverá ser debatida no próximo dia 10, quando o PMDB deverá reunir, em Brasília governadores, deputados, senadores e presidentes regionais para discutir os rumos a serem seguidos pelo partido. Na reunião, o PMDB pretende começar a definir seu projeto para o futuro do país e, com base nisso, definiria uma candidatura ou uma coligação para a eleição presidencial de 2006. As propostas do governador gaúcho contam com a simpatia de outros caciques do partido. Entre eles, estariam o presidente nacional do PMDB, Michel Temer; o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e senadores e deputados descontentes por não terem tido o apoio que esperavam do Planalto nestas eleições municipais. No lado oposto, contrários ao partido deixar o governo, estariam, entre outros, o ministro Eunício Oliveira (Comunicações) e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Rigotto argumenta que, ao entrar no governo, o PMDB passou uma imagem de ?fisiológico? e ?clientelista? ao eleitorado. Ele afirmou que o partido teria mais ?respeito? se apoiasse o governo Lula em projetos que considera importantes para o país, mas sem ter cargos no governo. O apoio a Lula no Congresso foi costurado por Sarney, Eunício e pelo governador do Paraná, Roberto Requião. Em troca, além de Eunício, o PMDB também ganhou o Ministério da Previdência - que está sob o comando de Amir Lando - e cargos de segundo escalão. ?Tenho a convicção de que foi o caminho errado a ser seguido?, afirmou Rigotto. Na convenção do dia 10, o governador gaúcho teme que o partido opte por pedir mais cargos no governo federal para manter o apoio a Lula ao invés de construir uma identidade própria. ?A pior coisa que aconteceria seria dizer que queremos mais cargos no governo. Seria o pior dos mundos?. E reforça a sua defesa de uma posição independente do governo federal, lembrando que o partido foi o que obteve maior número de prefeituras nas eleições municipais. ?O PMDB é o partido que mais elegeu prefeitos, está em todos os estados, mas não é valorizado porque não tem um projeto, tem sido levado a reboque ao longo dos últimos anos?. Sobre a possibilidade de se tornar uma ?referência? dentro do PMDB e lançar-se candidato na eleição presidencial de 2006, Rigotto é taxativo: ?Não tenho essa pretensão?.