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Opera��o Pororoca: PF come�a a ouvir envolvidos em esquema de corrup��o

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A Polícia Federal continuou, ontem, a ouvir os suspeitos de envolvimento no esquema de fraude em licitações de obras federais no Amapá, presos na quinta-feira na Operação Pororoca em Macapá, Belém, Belo Horizonte e Brasília, que culminou com a prisão de 25 pessoas entre políticos, empresários funcionários públicos e lobistas. As quatro pessoas presas em Brasília ? os lobistas André Cleiton Fernandes Dias, que intermediava a fraude por meio do Sistema Siafi, e a ex-assessora parlamentar Lysiane Nogueira da Rocha Fragoso, além dos funcionários do Ministério da Educação (MEC) Wadilson Cardoso Nunes e Maria Francisca Soares, que manipulavam o Siafi ? chegaram à tarde em Macapá para prestar depoimentos ao delegado federal Tardelli Boaventura, que preside o inquérito. De Belo Horizonte, a Polícia Federal trouxe o lobista Luiz Eduardo Monteiro, acusado de tráfico de influência na celebração do convênio para revitalização do Porto de Santana. Os cinco acusados não quiseram falar com a imprensa, e detalhes dos depoimentos não foram revelados pela PF. Alguns deles usaram o direito constitucional de só falar em juízo. A Justiça autorizou a transferência do ex-senador Sebastião Rocha (PDT) e do advogado Carlos Alberto Lobato Lima para o xadrez do 3º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército (3º BIS), na área urbana de Macapá. Os advogados deles alegaram que a carceragem da Polícia Federal não oferecia condições adequadas para a permanência dos dois, mas depois desistiram de levar seus clientes para o quartel do Exército. Sebastião Rocha é apontado pela PF como um dos cabeças da organização criminosa - juntamente com o engenheiro Luiz Eduardo Pinheiro Corrêa, dono da Método Engenharia - que fraudou licitações e pagou propina em pelo menos 17 grandes obras nos municípios de Macapá, Santana e Oiapoque. Os policiais vão confrontar os depoimentos com provas documentais obtidas ao longo de dois anos de investigações. Ontem, apresentou-se à Polícia Federal e foi preso Paulo Paranaguá, sócio do lobista Luiz Eduardo Pinheiro Corrêa, acusado de montar fraudes. A Operação Pororoca foi desencadeada em Brasília, Minas, Pará e Amapá. Vários presos estão sendo levados para Macapá para prestar depoimento, entre eles, o empresário Luís Eduardo Monteiro, de 53 anos. Ele foi preso quinta-feira em Belo Horizonte. Os agentes apreenderam na casa do suspeito seis agendas e algumas notas fiscais. Segundo o delegado Sardeli Boaventura, que comandou a operação no norte do país, Luís atuava como lobista em Brasília. O empresário teria recebido dinheiro de uma construtora com a promessa de garantia de convênios e liberação de recursos para obra no Porto de Santana, no Amapá. Ainda de acordo com a Polícia Federal, a atuação de Luís Eduardo seria com funcionários do Ministério dos Transportes. Em Belém, foram presos os empresários Fernando Flexa Ribeiro e Eduardo Boullosa. Flexa Ribeiro é suplente do senador Duciomar Costa (PTB), eleito prefeito em Belém. Também já foi presidente da Federação das Indústrias do Pará e é sócio da construtora Engeplan. As investigações demoraram dois anos e indicam que 17 grandes obras foram fraudadas no Amapá desde 2002. O desvio de verbas teria sido de R$ 103 milhões. Eduardo Boullosa é sócio da construtora Habitare.

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