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De olho em 2006, PMDB pode deixar governo

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O PMDB, maior partido da base que sustenta o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional, fez ontem a mais veemente ameaça de deixar os cargos que ocupa na gestão do PT em busca de ?independência? e fortalecimento do partido para as eleições de 2006. Quatro dos seis governadores do partido defenderam ontem a saída da base de Lula em uma reunião com o presidente da sigla, deputado federal Michel Temer (SP). O objetivo, segundo Temer, é reestruturar o PMDB para concorrer com um candidato próprio à Presidência da República. Os governadores estiveram reunidos ontem em São Paulo para analisar o resultado das eleições municipais e discutir os rumos que o partido seguirá em 2006. Defenderam a saída do governo os governadores Joaquim Roriz (DF), Rosinha Matheus (RJ), Germano Rigotto (RS) e Roberto Requião, além do presidente do partido em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia. Não compareceram ao encontro os governadores Luiz Henrique (SC) - que está em viagem ao exterior, mas é favorável à proposta de deixar a base governista - e Jarbas Vasconcelos (PE). O catarinense enviou seu vice para representá-lo. Na chegada à reunião, Quércia afirmou que o partido iniciou um processo de desligamento do governo Lula visando ao fortalecimento da sigla para as eleições de 2006. ?Me dou bem com o Lula, mas esse processo é no sentido de fortalecer o partido. E isso vai conduzir o PMDB a sair do governo e a entregar os cargos?. Entretanto, os dois ministros do PMDB no governo - Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência Social) - não estão satisfeitos com a campanha dos governadores do partido. Caso a proposta dos governadores avance, dificilmente o PMDB entraria no bloco de oposição ao governo, liderado hoje pelo PSDB e pelo PFL. ?Devemos ficar em posição de independência do governo federal. Não falamos em oposição?, disse Michel Temer. ?O PMDB quer ter uma proposta para a economia (...) e buscar um projeto próprio para a Presidência em 2006?, afirmou o presidente do partido. Como possíveis presidenciáveis, ele citou o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e os atuais governadores do partido. Temer disse ainda que incluirá a proposta de retomar o nome do partido para MDB (Movimento Democrático Brasileiro). A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, disse que veio a São Paulo a convite de Michel Temer para ouvir a posição da direção, mas que nunca escondeu a sua opinião: ?O PMDB não deveria ter entrado [no governo]. A minha posição é que deve sair para se fortalecer?.

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