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Negros trabalham mais e ganham bem menos

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A desigualdade racial no mercado do trabalho no Brasil diminuiu, mas os negros continuam recebendo salários menores e as mulheres negras são maioria entre trabalhadores sem carteira e empregados domésticos. Segundo a pesquisa A População Negra em Mercados de Trabalho Metropolitanos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada ontem, cresceu a participação dos negros no mercado de trabalho, seja empregados ou procurando emprego. O maior crescimento foi registrado em Belo Horizonte e Porto Alegre. Já a taxa de desemprego segue atingindo mais os negros - que são maioria entre a população em idade ativa (10 anos ou mais) - do que os não-negros nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo). A maior taxa foi verificada em Salvador (26,9%) e o menor índice em Belo Horizonte (21,9%). Já entre os não-negros as taxas de desemprego ficaram em 18,4% e 17,2%, respectivamente. Mesmo quando tem nível superior, o negro tem mais dificuldade em conseguir um emprego. Em Porto Alegre, a taxa de desemprego entre os negros com ensino superior é 2,5 pontos percentuais maior do que entre os brancos. Nas demais cidades, a situação é a seguinte: Salvador, 2,2 pontos percentuais; Distrito Federal, 1,6; Recife, 0,9; São Paulo, 0,8; e Belo Horizonte, 0,5. Quanto aos salários a desigualdade também é grande. Em Salvador, os negros ganham quase metade do que os não negros - em média R$ 575, enquanto os não negros recebem R$ 1.148,00. A tendência permanece mesmo entre os negros com curso superior, que recebem, em média, 20% menos que os não negros. As mulheres negras são maioria entre trabalhadores sem carteira e empregados domésticos ou trabalhos familiares ou não-remunerados. Cerca de metade das trabalhadoras negras ocupam vagas no chamado trabalho vulnerável, em São Paulo (50,7%), Salvador (53,1%) e Recife (50,9%). Em Belo Horizonte o índice vai a 46,4%; em Porto Alegre, 47,5%; e no Distrito Federal, 41%. Ainda segundo a pesquisa do Dieese, as mulheres negras recebem salários menores e, em média, trabalham mais. A jornada média mensal, no Distrito Federal, por exemplo, é de 38,4 horas para as negras e 38 horas para as mulheres brancas. Além disso, o rendimento por hora das mulheres negras corresponde a não mais do que 60% do recebido pelos homens não negros. Para exemplificar, em Salvador, elas recebem por hora 38,8% do que os homens brancos. Já as não negras recebem o equivalente a 81,5%.

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