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Caraj�s: Justi�a manda prender oficiais da PM
O Tribunal de Justiça (TJ) do Pará determinou ontem, por unanimidade, a prisão imediata dos comandantes do episódio conhecido como massacre de Eldorado dos Carajás, uma ação da Polícia Militar que deixou 19 sem-terra mortos em um desbloqueio de rodovia em 1996. Os sem-terra eram ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira receberam pena de 228 e 158 anos, respectivamente. O tribunal manteve a absolvição dos 145 policiais que participaram da ação. Nos dois julgamentos anteriores, os comandantes da operação já haviam sido condenados, mas aguardavam o julgamento do recurso em liberdade. O julgamento de ontem foi motivado por recursos de ambas as partes. Os advogados do MST e do Ministério Público queriam a condenação dos 145 policiais que participaram da ação. Os dois já condenados queriam que as penas fossem revistas. No início da sessão, o advogado de defesa do coronel Mário Pantoja, Roberto Lauria, leu o depoimento de um sem-terra cujo nome constaria na lista dos mortos do massacre mas que estaria vivo. O relator do processo, desembargador Rômulo Nunes, esclareceu o mal entendido sobre o depoimento que aconteceu no Amazonas. Ele informou que houve uma troca no nome do depoente e confirmou que o sem-terra Waldmir Pereira Veras morreu de fato no conflito. Ação O massacre aconteceu no dia 17 de abril de 1996, quando o então governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), ordenou que dois batalhões da PM realizassem uma ação para desobstruir trecho da rodovia PA-150. O local havia sido tomado no dia anterior por cerca de 1.100 sem-terra, que marchariam até Belém (distante 768km). Os dois grupos entraram em confronto e o saldo foi a morte de 19 sem-terra. Outros 69 sem-terra e 12 policiais ficaram feridos. Exames nos corpos mostraram que eles haviam sido mortos com tiros à queima-roupa ou com golpes de machado e facão. A defesa dos soldados acusados de participar das mortes alega que os tiros foram disparados para o alto. Segundo a defesa, é impossível apontar quais soldados teriam matado os 19 sem-terra. Abaixo-assinado Deputados que integram uma ala esquerdista do Parlamento Europeu enviaram ao TJ do Pará um abaixo-assinado no qual pedem o ?fim da impunidade? ao massacre de Eldorado do Carajás. O documento é assinado por 18 parlamentares de dez países.