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Elei��o na Ucr�nia divide R�ssia, EUA e UE
Uma eleição presidencial marcada por denúncias de fraude mergulhou a Ucrânia numa de suas mais graves crises políticas ontem, com mais de 100 mil pessoas nas ruas em protesto, ameaças de repressão por parte das forças de segurança e parceiros internacionais fundamentais divididos em lados opostos da disputa. Observadores da Europa e dos Estados Unidos denunciaram fraudes e irregularidades, com apoio de autoridades, no segundo turno das eleições, realizado no domingo. Do Brasil, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, telefonou para o candidato governista, para dar felicitações, antes ainda de o resultado ser oficial. À noite, num pronunciamento pela TV, o candidato governista Viktor Yanukovich, atual primeiro-ministro, declarou-se vitorioso. Enquanto isso, o candidato da oposição, Viktor Yushchenko, pediu ao povo que fique na rua para defender de uma possível ação das forças de segurança a ocupação da Praça da Independência, onde os manifestantes estão acampados. A vitória aparente de Viktor Yanukovich (o resultado é preliminar) levou mais milhares às ruas da capital, Kiev, desde a noite de domingo. No início da noite desta segunda-feira, já havia 100 mil na Praça da Independência e arredores - muitos acampados e dispostos a atender o chamado da oposição de permanecer mobilizados até que seja declarada vitória do candidato Viktor Yushchenko. Os protestos se espalharam pelas principais cidades. Três delas, inclusive Lviv, a maior no Oeste do país, reconheceram Yushchenko como vencedor. Autoridades municipais de Kiev pediram que o Parlamento rejeite o resultado preliminar. Numa eleição que vai decidir entre a aproximação da Ucrânia do Ocidente, se Yushchenko prevalecer, ou o reforço dos laços com Moscou, se Yanukovich vencer de fato, União Européia e Estados Unidos estão do lado oposto da Rússia na reação ao processo. Num telefonema dado do Brasil, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, congratulou Viktor Yanukovick. Segundo a agência russa Interfax, Putin disse ao primeiro-ministro que ?a batalha foi difícil, mas aberta e honesta?. A UE, no entanto, disse acreditar que a eleição presidencial da Ucrânia não atendeu a padrões internacionais e vai exortar autoridades daquele país a revisar sua conduta e o resultado, segundo o ministro de Relações Exteriores da Holanda, Bernard Bont. O presidente dos EUA, George W. Bush, havia advertido o governo ucraniano que, se o segundo turno das eleições não fosse limpo, a Casa Branca se veria obrigada a rever suas relações com o país.