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Aids muda perfil e avan�a entre as mulheres
As mulheres já são quase metade dos 37,2 milhões de adultos vivendo com o vírus HIV e a proporção sobe para 60% na região mais castigada pela epidemia, a África Subsaariana. Os dados são do novo relatório das Nações Unidas sobre a Aids, divulgado ontem. ?O rosto da Aids é cada vez mais jovem e feminino?, descreveu Kathleen Cravero, diretora executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids, o Unaids. Em todas as regiões do planeta, o número de mulheres infectadas com o vírus cresceu durante os últimos dois anos. No Leste da Ásia, o crescimento foi o mais expressivo - 56% -, seguido dos números do Leste da Europa e da Ásia Central - 48% mais mulheres infectadas. Na África Subsaariana, três quartos de todas as pessoas contaminadas e que têm de 15 a 24 anos são meninas e jovens mulheres. ?Mulheres jovens são a espécie mais ameaçada do Sul da África pela Aids por diversas razões?, disse Kathleen Cravero. Muitas mulheres não têm acesso à educação e ao emprego. Elas são freqüentemente dependentes economicamente dos homens e podem não ter poder para resistir ao sexo indesejado ou pedir a seus maridos e parceiros que usem preservativos. ?Em alguns lugares, o principal fator de risco para uma mulher é o fato de ela ser fiel a um marido que teve ou tem outras parceiras?, diz o relatório, divulgado por ocasião do Dia Mundial de Luta contra Aids, 1º de dezembro. Segundo o documento, adolescentes estão adquirindo o vírus em idades cada vez menores e de homens mais velhos. A violência contra a mulher também as torna vulneráveis à infecção. Tristes recordes O relatório anual do Unaids e da Organização Mundial de Saúde mostra que o número de adultos e crianças vivendo com o HIV segue batendo tristes recordes: chegou a 39,4 milhões em 2004. Há dois anos, eram 36,6 milhões. Mais de 3 milhões de pessoas morreram de Aids neste ano. O número de novas infecções por ano cresceu quase 50% desde 2002 no Leste da Ásia, principalmente por causa da disseminação na China, Indonésia e Vietnã. No Leste da Europa e na Ásia Central, o salto foi de 40% em dois anos, por causa dos números crescentes na Federação Russa e na Ucrânia. Prevalência Mas a África Subsaariana, onde há 25,4 milhões de pessoas infectadas pelo HIV, continua sendo a região mais afetada do mundo. Lá, a epidemia parece ter se estabilizado, o que significa que um número igual de pessoas está sendo infectado e morrendo de Aids. ?Em países do Sul da África, em geral, há uma prevalência de 25%?, disse Cravero, referindo-se aos números de jovens e adultos contaminados. De todas as pessoas com HIV, 56% vivem na África Subsaariana; das mulheres infectadas, 76% estão lá. No Caribe, a segunda região mais afetada, tem uma prevalência de 2,3% entre jovens e adultos.