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Justi�a barra posse presidencial na Ucr�nia

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Kiev - A Suprema Corte da Ucrânia proibiu ontem a publicação oficial dos resultados da contestada eleição presidencial de domingo, que, segundo números divulgados pelas autoridades eleitorais na quarta-feira, foi vencida pelo atual primeiro-ministro Viktor Yanukovich. Com a medida, a posse de Yanukovich fica automaticamente suspensa, e o presidente Leonid Kuchma permanece no cargo. ?A decisão da corte impede a Comissão Eleitoral Central de publicar oficialmente os resultados da eleição e o prosseguimento de qualquer outra ação associada a isso?, disse o tribunal mais importante do país, num comunicado. O líder da oposição ucraniana e aspirante à Presidência Viktor Yushchenko vibrou. ?Isso é apenas o começo. É prova de que essa é uma sociedade que sempre vence. É uma pequena compensação pelo sofrimento que nós suportamos?, disse Yushchenko a milhares de manifestantes reunidos na Praça da Independência, em Kiev. A corte também anunciou que vai examinar no dia 29 - segunda-feira que vem - uma queixa de fraude apresentada por Yushchenko. A ação é contra a Comissão Eleitoral Central, acusada de envolvimento em fraudes. Ontem, dezenas de milhares de ucranianos tomaram o centro de Kiev pelo quarto dia consecutivo, em apoio a Yushchenko e protesto contra o que dizem ter sido uma eleição presidencial roubada. Yushchenko disse que a única saída para a crise, no momento, é que os dois lados ?declarem que não reconhecem os resultados?. O líder da oposição convocou uma greve geral no país depois de a comissão eleitoral ter declarado a vitória do primeiro-ministro Viktor Yanukovich, apoiado pela Rússia. Ainda não há relatos sobre a adesão de trabalhadores ou empresários ao movimento. Mas, como parte da campanha de desobediência civil conclamada pela oposição, as estradas internacionais foram fechadas nas regiões de fronteira. ?A revolução ucraniana, como a da Geórgia, não se prolongará por mais de três semanas?, advertiu a ex-vice-primeira-ministra Yulia Timoshenko, número dois de Yushchenko, com quem ele discute os planos para os próximos dias de protesto. No dia 23 de novembro do ano passado, Eduard Shevardnadze deixou a Presidência da Geórgia após 11 anos, depois de protestos de massa em que era acusado de fraudar eleições parlamentares. A Geórgia também integrou a União Soviética. Na praça de Kiev transformada no centro nervoso dos protestos na Ucrânia, padres foram a um palco montado na Praça da Independência em Kiev e leram preces, enquanto roqueiros fizeram um show. Perto dali, na Praça Europa, parlamentares de oposição reuniram-se para discutir planos para a jornada de protestos. Yushchenko estava com eles. Enquanto isso, os manifestante iniciaram uma marcha prevista de duas horas, que parou diante de vários prédios do governo. Dezenas de milhares de pessoas de todas as idades e de diferentes regiões do país concentram-se na praça, segurando a bandeira nacional da Ucrânia e faixas em apoio a Yushchenko. Pelo quarto dia, desafiam temperaturas abaixo de zero e neve para pedir que Yushchenko seja reconhecido com presidente. Pelo menos 3 mil pessoas pernoitaram em barracas, na Praça da Independência. ?Desordem em massa? Ontem, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que cabe à Justiça da Ucrânia resolver quaisquer disputas sobre as eleições na ex-república soviética. Durante uma entrevista coletiva conjunta dele e de líderes da União Européia, em Haia, Putin também afirmou que a comunidade internacional não tem o direito de empurrar a Ucrânia para a ?desordem em massa?. De ambos os lados da coletiva, houve apelos pela manutenção da ordem e da legalidade na Ucrânia, onde protestos de massa tomam as ruas da capital pelo quarto dia seguido, em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko. Mas a crise está claramente afetando as relações o Kremlin com os líderes da UE, numa crise que também inclui os EUA e traz à memória os tempos da guerra fria. A UE e os EUA rejeitaram o resultado das eleições presidenciais, denunciando fraudes. ?Não deveríamos introduzir na prática da vida internacionais meios de abordar disputas como essa através de desordem nas ruas?, disse o presidente russo. ?Não acredito que tenhamos o direito de interferir de maneira alguma no processo eleitoral ou impor nossa opinião ao povo ucraniano?. A União Européia disse na quarta-feira que não poderia aceitar como legítima a vitória do atual primeiro-ministro, Viktor Yanukovich.

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