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J�ri de Ari vira sess�o contra tortura em pres�dios

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BLEINE OLIVEIRA O resultado do segundo julgamento a que Amauri Soares Ferreira, o Ari, é submetido este ano, ocorrido ontem, no Fórum Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, não altera o tempo de prisão a que o traficante já está sentenciado. Até o fechamento dessa edição o julgamento de Ari ainda continuava. Ele cumpre 24 anos por tráfico de drogas e mais 19 anos e seis meses por homicídio, penas que somadas superam os 30 anos, máximo que um indivíduo pode cumprir segundo o Código Penal Brasileiro. Mas o Tribunal do Júri em que o traficante foi julgado pelo assassinato de José Maria da Silva, o Douglas, transformou-se numa sessão de denúncias sobre tortura e tráfico de drogas dentro do sistema penitenciário alagoano. Provocado pelo defensor público José Eudes Carvalho, que fez a defesa de Carlos César de Lima, o Nego César, Amauri Soares Ferreira disse textualmente que freqüentemente presos são torturados até a morte nos presídios estaduais. ?Os direitos humanos deviam olhar isso?, afirmou Ari, descrevendo as ?celas de castigo? como locais sem água, sem iluminação, cheio de lixo, feita com chapas de ferro, ?onde são colocados os presos de mau comportamento?. Segundo o traficante, nessas celas ?o preso sofre muito para sobreviver?. A denúncia dele foi confirmada por Nego César, que chegou a citar nomes de presos que morreram dentro do presídio Baldomero Cavalcanti em decorrência de tortura nas chamadas ?celas de castigo?. Acusado como autor material do assassinato de José Maria, viciado e traficante, crime praticado no Centro de Maceió, em outubro de 2000, Nego César disse que por diversas vezes, ao longo dos cinco anos em que está preso por tráfico de drogas e porte ilegal de arma, foi levado à cela. ?Eles jogam água, deixando o chão molhando, para aumentar o castigo?, disse Nego César, acrescentando que numa das vezes em que foi para o castigo ficou 46 dias fechado. Noutra ocasião foi mantido na cela por 32 dias. Respondendo à indagação da juíza Nirvana Melo, titular da 3a Vara Especial Criminal, Nego César revelou ter conhecimento de que ?pelo menos oito morreram no corredor?. Entre esses, citou os nomes dos detentos conhecidos como Serginho, Né e Tetéia. O tráfico de drogas dentro do sistema penitenciário foi outra denúncia feita durante a sessão em que Ari, conhecido como o maior traficante de Alagoas, e Carlos César, presidiário definido pela Justiça como de alta periculosidade, foram julgados por homicídio. Indagado pelo promotor de Justiça José Alfredo Gaspar de Mendonça Neto se tinha conhecimento de que os presos usavam drogas e como entorpecente entra nos presídios, Amauri Ferreira foi claro. ?Com certeza tem droga. E digo mais, é impossível acabar pois há sempre um jeito de entrar?, declarou. Segundo o traficante, é a droga que ?mantém a tranqüilidade no sistema. Do contrário haveria mais problema?. O promotor Alfredo Mendonça disse que as denúncias devem ser levadas ao Conselho Penitenciário, que estava reunido ontem, no Fórum. Ele pediu aos acusados que aceitassem fazer a denúncia de tortura. Sobre o assassinato do policial militar João Vicente de Lima, o João Fuba, crime pelo qual Ari e Nego também são acusados, o promotor Alfredo Mendonça explicou que pediu o adiamento para que o Ministério Público investigue novas provas envolvendo policiais no caso.

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