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Protestos contra o governo tumultuam Bras�lia

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Brasília - No dia em que ocorreu o maior protesto contra o governo federal em Brasília neste ano, mais de 15 mil pessoas tomaram as ruas centrais da cidade, em duas manifestações independentes, para atacar a política econômica, a paralisação da reforma agrária e as propostas de reformas universitária e trabalhista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Houve depredação do Congresso, invasão do Incra, confronto com a polícia e pelo menos dez pessoas feridas. Pela manhã, entre 6.000 e 7.000 estudantes e sindicalistas, segundo estimativas da Polícia Militar, reuniram-se na Esplanada dos Ministérios, protestaram em frente de diferentes órgãos e foram até o Congresso Nacional, onde uma vidraça foi quebrada e dois estudantes detidos. Já à tarde, 9.000 pequenos agricultores, sem-terra e militantes encerraram a Conferência Nacional Terra e Água e marcharam por uma das principais avenidas da cidade até a sede do Banco Central, onde pediram a demissão de seu dirigente, Henrique Meirelles, e do ministro Antonio Palocci (Fazenda). A passeata dos sem-terra estava pacífica até que, por volta das 16h30, um grupo de cerca de 800 pessoas entre estudantes e sem-terra ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) parou na frente da sede nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Uma comissão já conversava com o superintendente nacional de reforma agrária Carlos Guedes de dentro do prédio. Assustados com a multidão, os servidores do Incra pediram reforço policial. Houve confronto e um grupo de 150 pessoas, segundo o Incra, conseguiu invadir o prédio. Os manifestantes quebraram duas portas de vidros e destruíram quadros do oitavo andar, onde fica o presidente. No confronto, também segundo o Incra e a PM, oito sem-terra e dois policiais militares ficaram feridos e foram levados para o hospital. As lideranças da passeata dos sem-terra, apoiada pela CUT, tentavam baixar o tom do protesto, afirmando que queriam apenas a mudança da política econômica. Porém, os manifestantes deixaram claro que estavam irritados com o presidente Luiz Inácio e queriam ambos ministros fora do governo. A marcha durou das 13h30 às 17h30. Na extensão de dois quilômetros da marcha - que criou um caos de duas horas no trânsito - se ouvia a mesma coisa: ?O povo, na rua, Lula a culpa é sua? ou ?Lula, a culpa é sua, joga o Meirelles na rua?. Não faltaram vaias aos ministros, incentivadas pelos carros de som. Uma bandeira americana com a palavra FMI foi queimada diante do Banco Central, no qual funcionários solidários atiraram papel picado pelas janelas. Uma comissão encabeçada por dom Tomás Balduíno e dois deputados do PT - Adão Preto e Chico Alencar - entregou o manifesto da conferência ao chefe de Materiais e Patrimônio do banco, depois da tentativa fracassada de falar com uma alta autoridade. Meirelles havia viajado horas antes para o Rio.

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