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Andr� Luiz mais perto de perder mandato

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Brasília - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instalou ontem processo de cassação de mandato contra o deputado André Luiz (RJ), acusado de extorsão e participação em homicídio. Afirmando ser inocente, Luiz disse que, durante sua defesa, apresentará ?documentos e fitas? que comprovariam irregularidades cometidas por pessoas que ele não deixou claro quem são. Gravações apontam que uma pessoa identificada como sendo o deputado tentou extorquir R$ 4 milhões do empresário do jogo Carlos Cachoeira. Em troca do dinheiro, Luiz atuaria para atenuar a situação de Cachoeira na CPI da Assembléia Legislativa do Rio que o investigava. A voz é a do deputado -afastado do PMDB -, de acordo com laudo encomendado pela Câmara ao perito Ricardo Molina. Gravações subseqüentes mostraram que a mesma pessoa disse ter participado de oito homicídios. O processo de perda do mandato tem que ser concluído em no máximo 90 dias, a contar de ontem, mas é incerto quando ocorrerá a provável votação secreta da cassação no plenário da Câmara, onde serão necessários os votos de 257 dos 513 deputados. Isso porque se houver recesso em janeiro e em parte de fevereiro, não há contagem de prazo. ?Não vou renunciar para fazer como outros, que voltam dois anos depois. Não estou preocupado com os direitos políticos, quero me defender e provar que sou acusado de uma coisa injusta?, afirmou Luiz, que disse hoje não ser a pessoa nas gravações. Se renunciasse antes da instalação do processo, o deputado poderia se candidatar nas próximas eleições. A partir de agora, entretanto, sua renúncia é nula até a conclusão do processo. Se for cassado, ficará inelegível até janeiro de 2015. ?Tenho documentos e fitas para me defender. Muitas provas e documentos?, disse, afirmando que elas são frutos de gravações que ele fez das pessoas que freqüentaram sua casa. O Conselho de Ética da Câmara é formado por 15 deputados e 15 suplentes, entre eles, os quatro deputados que formaram a comissão de sindicância que investigou Luiz e concluiu que o deputado quebrou o decoro parlamentar e, portanto, deve ser cassado. O conselho se reúne na terça-feira para definir os procedimentos e as pessoas que serão ouvidas. Os últimos deputados cassados pelo plenário da Câmara foram Hildebrando Pascoal (setembro de 1999), acusado de envolvimento com o tráfico de drogas, Talvane Albuquerque (abril de 1999), acusado de ser o mandante da morte da deputada Ceci Cunha, e Sérgio Naya (abril de 1998), dono do edifício Palace 2, que desabou no Rio de Janeiro em fevereiro de 1988 e causou a morte de oito pessoas.

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