Nacional
C�mara d� status de ministro a Meirelles; falta Senado
Após divergências até entre os partidos que integram a base do governo Lula, a Câmara dos Deputados conseguiu aprovar na madrugada de ontem a Medida Provisória (MP) que concede status de ministro de Estado ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A MP segue agora para apreciação do Senado. Se for aprovada, Meirelles ganha direito ao foro privilegiado em caso de processo na Justiça. Isso significa que ações judiciais contra o presidente do BC terão de ser impetradas somente no Supremo Tribunal Federal (STF), como já ocorre para os demais ministros de Estado. A Medida Provisória era um dos pontos mais importantes da pauta da Câmara. Passou com 253 votos favoráveis, 146 contrários (eram 145, mas a mesa somou um voto oral que ficou fora do painel) e quatro abstenções. A matéria foi discutida por quase seis horas antes da aprovação. O clima no plenário foi tenso e contou com manifestações contrárias tanto de deputados da base aliada como da oposição. Em um dos momentos mais tensos, o deputado João Batista Babá (sem partido-PA), expulso do PT em 2003, chamou o relator da matéria, deputado Ricardo Fiuza (PP-PE), de ?corrupto?. ?Só um corrupto para defender outro?, referindo-se a Henrique Meirelles. Em resposta, Fiuza chamou Babá de ?moleque? e ?vagabundo?. O bate-boca agora será resolvido pelo Conselho de Ética da Casa, que poderá aplicar uma advertência. A MP foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto após a divulgação na imprensa que Meirelles era investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de sonegação fiscal. A articulação do governo para emplacar a MP no Legislativo foi polêmica e gerou atrito nos partidos da base. Antes da votação, a bancada do PT rachou. Mas, com placar apertado - 26 a 24 -, o PT fechou questão pela aprovação da matéria. Aliados, como PMDB e PSB, liberaram suas bancadas, mas orientaram o voto com o governo. A oposição optou pela obstrução. O PFL ainda tentou barrar a votação, mas o requerimento para a retirada de pauta da MP foi rejeitado pelo plenário por 280 votos a 14.