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Brasil pede ao Congresso para emprestar US$ 30 mi ao Haiti
Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pedirá ao Congresso autorização para o Brasil fazer um empréstimo-ponte de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões ao Haiti. Falando às comissões de Relações Exteriores e de Defesa da Câmara e do Senado, Amorim disse que Banco Mundial (Bird) tem US$ 150 milhões para obras de infra-estrutura no país caribenho. Desse total, US$ 60 milhões podem sair logo, mas o Haiti não tem como tomar o dinheiro porque está inadimplente. O empréstimo-ponte serviria para a liberação e, segundo o chanceler, não traria risco, pois a primeira parcela do Bird viria para o Brasil. A operação precisa ser aprovada até 6 de janeiro, data da próxima reunião do banco. Se não, só haverá chance em março. Amorim destacou que há outras fontes de recursos, mas o Haiti precisa aceitar co-gestão por parte da comunidade internacional, para que haja confiança dos doadores e o dinheiro possa ser bem alocado. O ministro disse que há compromisso de se liberar US$ 1,2 bilhão para a reconstrução. O chanceler criticou os países mais ricos, afirmando que, embora ponham dinheiro, não têm o mesmo nível de envolvimento do Brasil. ?Para eles, é um problema de segurança, de migração, de narcotráfico. Quando resolvem isso com tropas, o que diz respeito ao envolvimento financeiro de longo prazo fica mais difícil?, acrescentou, defendendo a ação constante do Brasil para que o Haiti não saia do ?radar? da ONU. De volta para casa Ontem, 28 militares que participaram da missão de paz no Haiti desembarcaram na Base Aérea de Brasília. ?É bom estar de volta. Foi a minha primeira missão no exterior e a saudade aperta?, disse o sargento Pedro Boneli. Ao ver o pai, o menino Samuel, de 6 anos, correu em sua direção e caiu no choro. ?Foi o filho que mais sentiu a falta do pai?, disse Lizandra Basseto, mulher do sargento Boneli, que levou os outros meninos, João, de 4 anos, e Daniel, de 2 anos, para receber o marido na Base Aérea. Depois de seis meses esperando a volta do marido, Valdir Martins Sebastian, Quelen não conseguiu conter a emoção segurando seu filho Tales de três meses no colo. ?Em seis meses, só fiquei com meu filho durante dez dias, logo depois do nascimento. O trabalho no Haiti foi gratificante e procurei transmitir para minha família muita tranqüilidade?, disse Sebastian. Os 28 militares fazem parte de um contingente de 261 homens que voltaram ontem para o Brasil. Foram enviados para o Haiti 1.200 militares.