Nacional
Opera��o da PF coloca em risco articula��es pol�ticas
A ?Operação Sentinela? da Polícia Federal, que prendeu 10 pessoas na quinta-feira em Brasília e lançou suspeitas sobre a empresa Confederal, de propriedade do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB), pode complicar a articulação do governo Lula para manter o PMDB na base aliada. Juntamente com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o ministro é um dos maiores defensores da manutenção do PMDB na base do governo. A Confederal foi considerada, na quinta-feira, pela PF, suspeita por fraudes em licitações do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão responsável por fiscalizar o gasto do dinheiro público. Eunício afirmou que, apesar de ser sócio da empresa, está afastado de sua administração e não tem conhecimento de suas ações. Segundo informações, Eunício teria reclamado diretamente com o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), a quem a PF está subordinada, por um suposto uso político da organização. O próprio líder do governo na Câmara, deputado e professor Luizinho (PT-SP), sinalizou que está preocupado com a repercussão da ação da PF dentro do PMDB. Ele afirmou, ontem, que a ação foi conduzida politicamente e colocou em risco ?as instituições?, o ?processo republicano? e o ?crescimento do país?. Meia hora depois, Luizinho discursou na Câmara, recuou e elogiou a PF. A cúpula do PMDB se recusou, ontem, a comentar a operação. Nenhum dos dirigentes ou líderes do partido quis falar sobre as denúncias feitas contra a empresa de Eunício. Entretanto, parlamentares que não quiseram ter seus nomes revelados avaliaram que a manutenção do apoio do PMDB ao governo Lula já estava em risco antes mesmo da ação da PF. O PMDB realiza, no próximo dia 8, uma reunião da Comissão Executiva Nacional, em Brasília. O objetivo do encontro é decidir se a convenção do partido, marcada para o dia 12, será ou não adiada.