Nacional
Trabalhadores marcham at� Bras�lia por R$ 320
Brasília - Cerca de três mil trabalhadores partiram da cidade de Valparaíso, em Goiás, a 40km de Brasília, ontem, na Marcha Nacional do Salário Mínimo, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Eles pretendem entregar amanhã, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta reivindicando o aumento do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda. ?A marcha já é vitoriosa. Em outros anos não se batia no salário mínimo e no imposto de renda. A marcha obrigou a pautar a conjuntura nacional esse debate?, disse o presidente da CUT, Luiz Marinho. Ao chegarem em Brasília, os trabalhadores também farão uma manifestação na frente do Congresso Nacional para sensibilizar os parlamentares a aprovar o mínimo de R$ 320. ?Estamos criando todo o clima de pressão. O governo pode anunciar um aumento insatisfatório e podemos disputar no Congresso. A luta ainda está pelo meio?, informou Marinho. Na semana passada, os sindicalistas da CUT se reuniram com os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Ricardo Berzoini (Trabalho). Nos encontros, eles mantiveram a reivindicação de correção da tabela de Imposto de Renda e da criação de uma política nacional de recuperação do salário mínimo. O governo vem sendo pressionado pelas centrais sindicais para corrigir a tabela em 17%, índice que representa a inflação acumulada no governo Lula. A equipe econômica, entretanto, avalia propostas alternativas, pois acredita que o aumento anual de gastos com a medida, estimado em R$ 2,7 bilhões, seria muito alto. Aumento real Ontem, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, confirmou em discurso no Rio de Janeiro que o governo planeja dar aumento real (acima da variação da inflação) para o salário mínimo como forma de estimular o mercado interno. O objetivo é fazer com que o mercado interno seja um dos propulsores da manutenção do crescimento econômico no ano que vem. De acordo com o ministro, a necessidade de estimular o mercado interno por meio de um aumento no valor do mínimo se deve à previsão de que o saldo da balança comercial brasileira cairá. No discurso proferido em conferência sobre as perspectivas e tendências da economia para 2005, promovida pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), ele não apresentou os números do novo salário mínimo.