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Copom segue trajet�ria e eleva taxa b�sica de juros para 17,75%
A aparente redução do ritmo de crescimento da indústria não foi suficiente para o Banco Central afrouxar a condução da política monetária. O Comitê de Política Monetária do BC (Copom) decidiu ontem elevar, pela quarta vez consecutiva, a taxa básica de juros da economia, que passa de 17,25% para 17,75% ao ano. Trata-se da maior taxa desde outubro de 2003, quando ainda estava em 19%. Não foi adotado viés. Ou seja, a taxa não pode ser alterada antes da reunião de janeiro. A decisão de ontem foi unânime, já era esperada pelo mercado e reforça mais ainda a idéia de que o BC está menos tolerante a choques que possam ameaçar a estabilidade. A autoridade monetária eleva o juro para deixar o crédito mais caro e conter o consumo. Assim, evita que a inflação saia do controle. O indicador de preços oficial do governo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), passou de 0,44% em outubro para 0,69% em novembro. No ano a inflação acumulada é de 6,68%, acima da meta de 5,5% para 2004. Para o ano que vem, a meta é de 4,5%. Em ambos os casos, há uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Embora a meta seja de 4,5%, o BC anunciou em setembro que irá perseguir uma inflação de 5,1%. Ainda assim, as expectativas do mercado apontam para um IPCA de 5,78% para 2005. O rigor do BC deve continuar enquanto as expectativas não se converterem para o objetivo. A acomodação da atividade industrial, o recuo dos preços do petróleo no mercado internacional e o aumento dos investimentos não foram suficientes para brecar o aperto monetário por parte do BC. Em novembro, o uso da capacidade instalada da indústria caiu de 83,14% para 82,65%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em outubro, a produção industrial subiu 0,4% na comparação com o mês anterior, após forte recuperação ao longo do ano, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os investimentos deram continuidade à trajetória de recuperação iniciada no final de 2003. Eles cresceram no terceiro trimestre 6,7% em relação ao segundo trimestre, o maior avanço registrado desde 1994. No mercado internacional, o petróleo é negociado abaixo dos US$ 44. Um recuo de US$ 10 em relação aos recordes atingidos nos meses anteriores, quando ficou acima dos US$ 55. Um dos temores da autoridade monetária é que as empresas se aproveitem do crescimento econômico para repassar aos consumidores o aumento de custos, recompondo a margem de lucro.