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Pobres v�o da pen�ria alimentar � obesidade
Rio de Janeiro - O problema dos quilinhos a mais deixou de ser exclusivo às pessoas com renda mais alta. De acordo com a segunda parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-3003, há mais gordos que magros na população de baixa renda. Entre os 20% mais pobres do país, 27% dos homens estão com peso acima do adequado e 9,5% com falta de peso. No caso das mulheres mais pobres, 38,2% estão com excesso de peso e 6,6% com peso inferior ao recomendado. ?A população de baixa renda também está se alimentando muito mal. Tem uma parte pequena de baixo peso porque não compra comida. Nos países em desenvolvimento, estamos passando de um estado de penúria alimentar para a obesidade. E está aumentando na população a incidência de doenças ligadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares?, disse Leonor Pacheco, nutricionista do Ministério da Saúde que participou do estudo. Na população adulta com renda de até um quarto de um salário mínimo, 4,5% dos homens e 8,5% das mulheres tinham déficit de peso enquanto que em 21,3% dos homens e em 32,1% das mulheres foi verificado excesso de peso. Segundo ela, o maior consumo de alimentos industrializados e processados influencia esse quadro. A questão também está associada à diminuição da prática de atividades físicas no cotidiano, como o hábito de andar a pé. Ela cita ainda que cerca de um quarto dos adultos fazem refeições fora de casa, quase sempre muito calóricas, pobres em fibras e em vitaminas e que não causam sensação de saciedade, como os produtos vendidos em redes de ?fast-food? - hambúrgueres, batata frita e refrigerantes. ?Estamos convivendo com o pior dos dois mundos. Desnutrição e doenças de países pobres e a obesidade dos países ricos?, disse. Ela pondera que estamos longe do que ocorre nos Estados Unidos, onde 25% da população já é considerada obesa. No Brasil, são 11,1% de obesos entre os adultos. ?Temos que prevenir e evitar chegarmos nessa situação. Precisamos cuidar para que a obesidade não chegue a essa proporção epidêmica dos Estados Unidos?, disse a nutricionista, para quem o fato da camada de renda mais baixa apresentar mais pessoas com peso acima do recomendado é uma questão cultural. ?Não é caro comer de forma correta. O arroz com feijão, uma ótima combinação, está sendo abandonado. Não é necessário comer carne todo dia e é possível comprar menos. Está faltando frutas e verduras?, disse. Segundo a nutricionista, o governo brasileiro assinou o documento da Organização Mundial da Saúde (OMS) Estratégia global para a alimentação e estilo de vida saudáveis. Os países signatários se comprometem a implementar medidas como diminuir o consumo de açúcar, aumentar a atividade física no dia a dia e incentivar que mães utilizem menos açúcar na alimentação de bebês e crianças.