Nacional
Palestinos votam na primeira elei��o municipal
Milhares de palestinos compareceram ontem às urnas para eleger os 360 membros da Assembléia palestina, entre os cerca de 800 candidatos inscritos. Apesar de Gaza ter cancelado sua eleição por causa da violência, esperava-se grande participação - cerca de 140 mil palestinos estão aptos para votar na primeira eleição dos últimos 28 anos, período em que o líder palestino Iasser Arafat esteve no poder. Mas a eleição de ontem funcionou mais como um ?aquecimento? para outro pleito de maior importância. No dia 9 de janeiro, os palestinos devem voltar às urnas para escolher o substituto de Arafat. Ahmed Korei, primeiro-ministro palestino, que depositou seu voto em Abu Dis, subúrbio de Jerusalém, elogiou a eleição, que ocorre em 26 municípios da Cisjordânia, dizendo que ?isso [a votação] representa o primeiro degrau para o estabelecimento de um Estado palestino?. Votações em outras 600 cidades e vilarejos dos territórios palestinos devem ocorrer no próximo ano. Filas Ontem, longas filas se formaram nos postos de votação de Jericó, na Cisjordânia. Eleitores reclamaram da espera, que, em alguns postos, chegou a quatro horas. Outros disseram estar ansiosos para votar na primeira eleição local desde 1976. ?Não importa, uma ou duas horas [de espera]. Eu vou votar. Espero por isso há muito tempo?, disse o palestino Nabil Abu Kattan, 48. Nas últimas três décadas, comunidades palestinas na Cisjordânia e em Gaza foram administradas por dirigentes indicados, primeiro, pelo Exército de Israel e, depois, pela Autoridade Nacional Palestina (ANP). Apesar de a data da eleição de ontem ter sido definida antes da morte de Arafat, em 11 de novembro, o líder palestino relutava em permitir eleições municipais, temendo que o Hamas, o maior grupo de oposição de seu governo, conseguisse grande representação - o Hamas aumentou sua popularidade durante a Intifada [revolta palestina contra a ocupação israelense, iniciada em setembro de 2000]. A eleição de ontem representa a primeira vez que Fatah e Hamas se enfrentam na disputa por votos populares. A exemplo de 1996, quando o Hamas, que prega a destruição de Israel, boicotou a eleição geral por considerá-la um subproduto das negociações temporárias de paz com Israel, o grupo já anunciou que boicotará a eleição que definirá o substituto de Arafat, em janeiro. Apesar disso, o Hamas planeja lançar candidatos para as próximas eleições parlamentares e municipais.