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Brasileiros passam o Natal em pa�s de conflito
Mil e duzentos soldados brasileiros passaram ontem o Natal numa base militar em Porto Príncipe, no Haiti, um país mergulhado numa crise que mistura extrema pobreza, violência freqüente e instabilidade política. Houve a tradicional árvore enfeitada de luzes, ceia oferecida pela ONU e um culto religioso. Nada que substituísse, porém, o aconchego de famílias que permanecem a milhares de quilômetros de distância. ?A saudade é muito grande. Vai ser difícil?, admitia o cabo José Henrique da Silva Rocha, em entrevista por telefone. Para o cabo Rocha e a grande maioria dos soldados brasileiros no Haiti, este é o primeiro Natal numa missão em outro país. E uma missão comandada pelo Brasil, sob patrocínio das Nações Unidas. Longe da mulher, Elaine, e dos filhos Caroline, de 5 anos, e Alan Henrique, de 1 ano e meio, Rocha conta que procurou preparar a família para momentos como este, aos quais militares estão sujeitos. Foi o que todos fizeram. Com idades entre 22 e 56 anos, os militares brasileiros que estão no Haiti fazem parte do segundo contingente enviado ao país caribenho, onde começaram a chegar no final de novembro. Embora estejam ainda em fase de adaptação, já enfrentaram situações difíceis, como uma ocupação da casa do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide por 43 ex-soldados, que exigiam sua reintegração às forças haitianas e o pagamento de soldos atrasados. A tensa situação em que se viram semana passada foi resolvida com negociação, sem que um tiro fosse disparado. O capitão-de-fragata Walter Marinho Sobrinho faz um retrato da situação pela qual os brasileiros estão passando: ?Nossa missão tem nos dado a oportunidade de ajudar o povo haitiano, de nos relacionar com pessoas de outros países e de aumentar o entrosamento nas nossas Forças Armadas, já que há uma participação integrada entre a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. Nossa maior dificuldade tem sido justamente o afastamento da família. O afeto familiar é insubstituível?. Como os colegas que os antecederam, os militares do segundo contingente ficarão seis meses no Haiti. Embora mostre disposição para viver essa experiência única, o capitão André Duarte Canellas lamenta não passar o primeiro Natal da filha de 1 ano, Milena, ao seu lado. Hoje, os soldados vão compartilhar suas emoções também com os haitianos: participarão de uma ação humanitária, distribuindo alimentos e medicamentos em áreas carentes de Porto Príncipe. Prova cabal de que o espírito natalino está presente no país em conflito.