Estatística
NO BRASIL, 35 MULHERES FORAM AGREDIDAS POR MINUTO EM 2022
Nos últimos 12 meses, 18,6 milhões das mulheres relataram ter sido vítima de algum tipo de violência
O ano de 2022 foi especialmente difícil para as mulheres no Brasil: todos os indicadores de violência contra a mulher subiram no ano passado, de acordo com a quarta pesquisa "Visível e Invisível - a Vitimização de Mulheres no Brasil" - do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (2).
Nos últimos 12 meses, 28,9% (18,6 milhões) das mulheres relataram ter sido vítima de algum tipo de violência ou agressão, o maior percentual da série histórica. Isso significa que 35 mulheres foram agredidas física ou verbalmente por minuto no país.
Em relação à última pesquisa, que foi feita entre abril de 2020 e março de 2021, o crescimento foi de 4,5 pontos percentuais, o que revela um agravamento das violências sofridas por mulheres no Brasil.
A pesquisa foi realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que aponta para um agravamento de todas as formas de violência contra a mulher no país.
O levantamento, feito entre os dias 9 e 13 de janeiro deste ano, ouviu pessoas acima de 16 anos em 126 cidades de todas as regiões do Brasil. Foram 2.017 entrevistados, dos quais 1.042 são mulheres.
A pesquisa mostrou que a mulher divorciada ou separada apresentou, no ano passado, níveis mais elevados de vitimização (41,3%) do que casadas (17%), viúvas (24,6%) e solteiras (37,3%).
Além disso, pela primeira vez na série histórica -que mapeia os níveis de violência contra mulher desde 2017-, o ex-cônjuge é o principal agressor (31,3%). Em segundo lugar vem o atual companheiro (26,7%), seguido por pai ou mãe (8,4%).
"Pensamos que a separação é sinônimo de fim da violência, mas os dados mostram que, para essas mulheres, há graus mais altos de vitimização. Sabemos que o fim do relacionamento é um fato de risco para o feminicídio ou para uma forma de violência mais grave", diz Isabela Sobral, coordenadora do Núcleo de Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A pesquisa calculou pela primeira vez a média de agressões sofridas por ano. As mulheres casadas, viúvas ou solteiras sofrem, em média, três agressões por ano. Entre as divorciadas o número triplica e chega a nove agressões por ano, me média.
"Esses homens inconformados com o fim do relacionamento conseguem, muitas vezes, ainda acessar esse local. E, nesse caso, podem ser violências mais intensas porque a mulher quebrou aquela relação estabelecida entre eles, que o marido esperava que fosse seguida e, por isso, pode ser mais frequente", diz Sobral.
A coordenadora cita que metade das mulheres agredidas vive no interior e outra metade, nas capitais, ou seja, a violência contra a população feminina acontece em todos os espaços. Ela lembra, porém, que os serviços de apoio e atendimento voltados às mulheres estão concentrados nas capitais e regiões metropolitanas.
"É muito importante que as delegacias tenham policiais capacitados para atender essa mulher [agredida]. É preciso um protocolo específico para atendê-la", afirma a coordenadora, que cita ainda a necessidade de fortalecer a rede de assistência social e saúde e a importância de que atuem com estrutura da segurança pública.
Outra questão que a pesquisa aponta é que a mulher que integra a PEA (População Economicamente Ativa) -que tem um emprego ou procura um trabalho- sofre mais agressão (32%) do que aquela que não está na PEA (20,8%).
O resultado vai ao encontro de uma pesquisa de 2019 intitulada Participação no Mercado de Trabalho e Violência Doméstica Contra as Mulheres no Brasil, que mostrou que as mulheres separadas que participavam do mercado de trabalho tinham maior chance de sofrer violência doméstica. O levantamento foi feito a partir dos dados de 2009 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).
"Muitas vezes, o que acontece é que a mulher consegue o próprio dinheiro e, assim, consegue sair do relacionamento", afirma Sobral.