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ONU fixa metas para Pa�s acabar com mis�ria

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O Brasil deve atingir as metas fixadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o fim da pobreza extrema até 2015, mas vai ter que dar atenção a 13 bolsões de miséria que englobam 600 municípios em regiões com 26 milhões de pessoas. O coordenador-residente do sistema ONU no Brasil, Carlos Lopes, disse ontem que o país poderá adotar nestes locais várias das 16 ações de impacto rápido que constam do relatório ?Investindo no desenvolvimento, um plano prático para atingir os objetivos de desenvolvimento do milênio?. Nesse cenário, a ONU sugere que o Brasil adote metas mais ambiciosas ou reduza os prazos já fixados. ?Serão necessárias políticas bem focalizadas nestes 600 municípios porque se trata de um país muito desigual. Também deve haver uma coordenação para evitar a fragmentação de políticas entre os governos federal, estadual e municipal?, afirmou Lopes. As 16 ações de impacto rápido vão da redução de custo de matrículas escolares à criação de fundos para reabilitar os bairros degradados de grandes cidades, passando informações de planejamento familiar e reflorestamento de áreas desmatadas. Na avaliação do Programa das Nações Unidas para o De-senvolvimento (PNUD), os bolsões de miséria brasileira não estão apenas em regiões do interior como o Nordeste ou o Vale do Ribeira (SP) e, na verdade, se agravam nas metrópoles como Rio e São Paulo. A ONU considera pobreza extrema pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 por dia e sem serviços como água tratada e esgoto. ?No Rio, pode-se observar regiões com índices de desenvolvimento que vão da Espanha à Suazilândia. Esse problema também existe nas cidades médias do interior?, disse o coordenador de políticas públicas do PNUD no Brasil, José Carlos Libânio. O documento da ONU faz parte do Projeto Milênio e foi elaborado por uma equipe de 250 especialistas. Para analisar a situação brasileira, foi contratada uma equipe de seis pessoas, entre elas o ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso, Paulo Renato de Souza. Favelas Quase 44% da população urbana da América Latina vive em favelas ou bairros precários, segundo um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) divulgado ontem. A pesquisa também diz que três em cada quatro latino-americanos vivem em cidades, o que faz do continente uma das zonas mais urbanizadas do planeta, à frente inclusive da Europa. No entanto, a Cepal diz que a pobreza urbana não se concentra só nos lares mais precários e que nem todos os que vivem em favelas são pobres. O estudo, realizado com base em perguntas feitas a habitantes de 15 países, analisa o fenômeno num quadro mais amplo da pobreza mundial e suas características. Entre os países analisados, apenas 24% dos domicílios pobres estão livres de problemas com qualidade, serviços ou posse. O percentual sobe entre as famílias que não são pobres. Mesmo assim, menos da metade consegue morar em habitações adequadas. Segundo o estudo, a precariedade das habitações urbanas difere de um país para outro e se manifesta de maneiras diferentes em cidades grandes ou pequenas, e em lares liderados por homens ou por mulheres.

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