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Pais acham escola privada melhor que a p�blica

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Brasília - A primeira fase de uma pesquisa sobre a qualidade da educação brasileira, feita pelo Ministério da Educação, com pais de alunos, mostra que eles consideram que a escola privada apresenta melhor qualidade do que a pública. Para eles, o melhor ensino das instituições privadas advém, basicamente, do fato de elas exigirem mais dos professores porque eles podem ser demitidos se não atenderem os requisitos. As particulares são vistas como mais disciplinadas, organizadas, respeitosas e seguras. Os pais concordam que só a escola privada garante preparação adequada para se chegar ao ensino superior. A sensação é de uma escola pública insegura, em crise de autoridade - pouca exigência para o estudante passar de ano. Segundo eles, há pouco compromisso dos professores, os alunos apresentam comportamento desregrado e as secretarias de educação mantêm-se distantes. Os pais também se mostram preocupados com a segurança nas escolas, querem mais autoridade no ensino, uso de uniforme, eleição direta para diretores, mais motivação, envolvimento e tempo de permanência diária dos alunos, além de atividades extraclasse. As conclusões preliminares integram o relatório da primeira etapa de uma pesquisa nacional sobre a qualidade da educação, que ouviu cerca de cem pais do Rio de Janeiro, de Curitiba, Brasília, Recife e Belém. Na segunda fase da pesquisa, que terá abrangência nacional e deve ser concluída até o fim de fevereiro, o Ministério da Educação vai ouvir dez mil pais de estudantes matriculados nas escolas públicas urbanas do país para saber o que eles pensam e esperam da escola. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo levantamento, serão entrevistados pais e mães de aproximadamente 162 cidades. Cerca de 19 escolas serão pesquisadas por Estado. Satisfação razoável Ainda de acordo com a primeira fase da pesquisa, de um modo geral, pais e mães têm grau razoável de satisfação com a escola pública fundamental, principalmente em relação à rede física, condições de acesso, facilidade de obtenção de matrícula, oportunidades e distribuição de livros didáticos. A gratuidade do sistema é considerada importante. Preocupados com a segurança, os pais compreendem que são necessárias medidas como maior distanciamento físico na convivência entre as faixas etárias, instalação de câmeras de vigilância e implantação de policiamento nas proximidades e dentro das escolas. A surpresa da pesquisa fica por conta do Rio de Janeiro. Estigmatizada como palco principal da violência no país, a cidade registrou a menor preocupação com a segurança. A percepção do ensino público fundamental é de relativa satisfação. Não é o que aparece, porém, quando se trata da escola em que o filho estuda. Nos casos concretos, são poucos os aspectos de satisfação e numerosos os pontos de descontentamento. Os segmentos mais pobres da população, moradores de áreas carentes, têm o pior atendimento escolar. Nesses locais, as escolas são simples, pequenas e sem infra-estrutura. As áreas da classe média têm escolas de boa qualidade e com infra-estrutura adequada. Os diretores são vistos pelos pais como os ?guardiões da ordem e da moral?, responsáveis pela qualidade de ensino. Na maioria dos casos, os pais depositam neles esperança e confiança. Quanto mais firmeza demonstram na administração da impulsividade e manutenção da disciplina, maior é sua aprovação. Sucesso x fracasso Os professores são os responsáveis diretos pela qualidade do ensino e pelo sucesso ou fracasso escolar, na visão dos entrevistados. A avaliação deles, no entanto, é difusa e difícil de resultar em consenso. Os pais consideraram os professores da rede pública mais capacitados, por terem passado em concurso, e entendem que os salários são insuficientes ou injustos. Mas criticam esses professores por faltas às aulas, abonos e greves. Mencionam ainda a precariedade na formação dos professores. Os pais consideram os filhos motivados para o ensino e para freqüentar a escola. Esse fator depende, porém, do relacionamento com o professor, apontado como um dos principais responsáveis pelo envolvimento do aluno com a aprendizagem. O professor competente e dedicado, com apoio da escola, é visto como capaz de despertar a motivação em crianças menos propensas ao estudo.

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