Nacional
Anapu pode virar barril de p�lvora
VANNILDO MENDES (AE) A chamada região do meio do Pará, onde se encontra Anapu, é atualmente o maior foco de conflitos por posse de terra no País. Cortado pela Transamazônica, a rodovia aberta na selva pelo regime militar, mas nunca concluída, o município têm sido alvo de uma corrida desenfreada nos últimos cinco anos, desde que o governo federal prometeu asfaltar a estrada e levar energia para a região, com a hidrelétrica de Belo Monte, a terceira maior do País. ?Foi uma irresponsabilidade do governo, que tornou essa região um barril de pólvora?, critica o procurador da República Felício Pontes. Ele alega que tem denunciado a situação em sucessivos ofícios aos governos federal e estadual, mas diz que nunca foram tomadas providências para acabar com a tensão. O prefeito de Anapu, Luiz dos Reis (PTB), confirma que nos últimos três anos houve uma avalanche migratória. ?Oficialmente, no mapa do IBGE, o município tem 7 mil habitantes, mas, depois da explosão demográfica recente, a população subiu para mais de 40 mil habitantes e continua a crescer?. O maior problema, segundo o prefeito, são os forasteiros avulsos, que compraram ou se apropriaram de grandes extensões de terras para fins especulativos. A explosão demográfica trouxe pobreza, fome e violência e os conflitos entre assentados da reforma agrária e os grileiros se agravaram. ?Existe uma guerra não declarada de camponeses miseráveis contra grileiros e seus jagunços. Parcelas do Incra, da Justiça e das autoridades de segurança locais e federais estão comprometidas com as máfias da terra?, denuncia o bispo dom Xavier Gilles, vice-presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT).