Nacional
Sharon n�o acusa S�ria pela morte de ex-premi�
O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon evitou, cuidadosamente, atribuir à Síria a responsabilidade pelo atentado de segunda-feira em Beirute, que matou o ex-primeiro-ministro libanês Rafik al Hariri. ?Acho que é inútil responder às alegações sobre qualquer papel de Israel no que acontece no Líbano?, afirmou Sharon. ?Ignoramos quem fez isto mas, evidentemente, quando consideramos a situação no Líbano, atualmente sob controle sírio, isto nos faz destacar a necessidade de sermos muito, muito prudentes em nossos passos em direção à paz?. A oposição libanesa à presença síria no Líbano acusou abertamente a Síria pelo assassinato, enquanto a imprensa oficial em Damasco, em especial o jornal Tichrine, acusou Israel de querer ?a anarquia para sabotar os esforços de reconstrução do Líbano?. A Síria, que mantém cerca de 14 mil soldados em território libanês, é o principal foco de discussão para o Líbano. Al Hariri deixou seu cargo de premiê em outubro último depois que o presidente do Líbano, Emile Lahoud ? que tem relações próximas com a Síria ?, ter conseguido mais três anos de mandato. Fora do governo, o ex-premiê tornou-se oposição e exigia a retirada das tropas sírias do território libanês até maio, data prevista para a eleição parlamentar. O chefe da diplomacia israelense, Silvan Shalom, disse que a Síria poderia estar envolvida na morte de Hariri. ?Não há dúvidas de que a Síria, que apóia o Hizbollah [xiita libanês] e os grupos extremistas palestinos Hamas e Jihad Islâmico, opostos à democratização do Oriente Médio, vê com maus olhos a perspectiva de eleições no Líbano, e não quer ser obrigada a deixar o Líbano?, disse Shalom. O atentado Al Hariri passava em um comboio com vários seguranças quando uma explosão, projetada com cerca de 300kg de TNT, destrui vários carros, lojas e abriu uma cratera gigantesca em frente ao tradicional hotel St. George, na capital Beirute, além das vítimas. O ex-premiê era um bilionário que conduziu o Líbano por dez anos, após um período turbulento em que ataques e atentados eram comuns, durante a guerra civil (que teve duração entre os anos de 1975 e 1991, quando todos os grupos armados do Líbano entregaram suas armas, com exceção do Hizbollah.