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Braskem triplica lucro e fecha ano com saldo de R$ 691 milh�es
PATRYCIA MONTEIRO A retomada do crescimento da economia trouxe bons resultados para alguns segmentos de mercado ano passado. Um destes que não têm do que reclamar de 2004 é o setor petroquímico. Prova disso pode ser observada nos números divulgados ontem pela Braskem, uma das líderes do mercado de resinas termoplásticas da América Latina. A empresa, cujos principais acionistas são a construtora Norberto Odebrecht e a Norquisa, triplicou seus lucros e fechou o ano com uma margem de R$ 691 milhões ? um aumento de 221% em relação ao ano de 2003. Parte destes resultados se deve ao fato de que, em 2004, as vendas de polietileno, polipropileno e PVC ? os principais produtos da Braskem ? tiveram um incremento de 13% no mercado brasileiro. Resultado: a receita bruta superou os R$ 14 bilhões e a líquida R$ 11 bilhões, ficando 20% acima da receita do ano anterior. ?A excelente performance da empresa reflete a vantagem competitiva do seu modelo de negócio e indica um novo patamar de competitividade e flexibilidade estratégica da empresa?, afirma José Carlos Grubisich presidente da Braskem. Daqui para frente, segundo o executivo, a empresa vai aumentar sua capacidade de produção, buscar mais rentabilidade para os acionistas, fazer novos investimentos e até promover seu processo de internacionalização dos negócios. Outro aspecto positivo que pode ser verificado no balanço anual da empresa. A Braskem está conseguindo dar a volta por cima em relação a um dos principais entraves que marcam a sua trajetória desde a sua criação em 2002: o seu endividamento. A empresa implementou uma estratégia para reduzir sua dívida líquida e conseguiu. Ano passado, o saldo foi reduzido para R$ 3,9 bilhões, um montante 38% menor do que o registrado em 2003. A companhia petroquímica foi uma das que mais realizaram emissões de ações em 2004 no mercado internacional, no valor de R$ 1,2 bilhão. Com isso, o valor da Braskem obteve uma valorização no mercado, alcançando o valor de US$ 4,6 bilhões, uma variação 187% maior em relação ao exercício anterior. Parte destes resultados será repassada aos acionistas da Braskem. A empresa vai distribuir este ano R$ 205 milhões, entre dividendos e juros sobre capital próprio. As exportações da empresa também cresceram ano passado. As vendas para o exterior representaram uma receita líquida de US$ 710 milhões, ficando 15% acima dos valores negociados em 2003. O aumento dos preços da resinas termoplásticas no mercado internacional também contribuiu para aumentar essa margem. Os principais mercados da Braskem atualmente são a América do Norte (43%), a Europa (22%), a América do Sul (22%) e a Ásia e Oriente Médio (13%). ?A recuperação do mercado argentino trouxe um saldo positivo para a Braskem. No país vizinho obtivemos um aumento no volume das exportações de resinas da ordem de 28%?, comenta Grubisich. Novos investimentos A Braskem pretende realizar este ano cerca de R$ 600 milhões em investimentos. Um dos projetos que estão mais avançados é a construção de uma fábrica de polipropileno situada em Paulínia (São Paulo) em parceria com a Petroquisa ? empresa da Petrobras. Mas, por enquanto, ainda não estão definidas cifras e de quanto vai ser a divisão dos investimentos. ?Até o segundo trimestre teremos as definições iniciais e devemos iniciar as implementações físicas da nova empresa. As obras devem começar ainda no segundo trimestre. Nossa meta é entrar em operação no segundo semestre de 2006 ou no início de 2007?, explica o presidente da Braskem. Dentro do processo de internacionalização da empresa, a Braskem deve estender seus domínios em breve na Venezuela, onde pretende manter uma unidade de negócios com a PDVSA ? a mesma empresa que vai construir a refinaria de petróleo em Pernambuco ? e criar outra unidade na Bolívia. ?Parte dos novos investimentos também serão direcionados para Alagoas e Bahia?, diz o presidente da Braskem. ?Em 2004 investimos R$ 90 milhões na ampliação da capacidade da unidade de PVC no Estado e vamos colher os frutos deste investimento este ano. Iremos fazer uma nova injeção de capital em Alagoas que deve ser mais ou menos do mesmo valor?, estima Grubisich.