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Ministra diz que mortes anteciparam pacote anticrise no Par�
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, negou que o governo tenha sido pego de surpresa em relação ao conflito entre sem-terra, grileiros, madeireiros e fazendeiros no Pará. Segundo ela, o pacote ?anticrise? no Pará, anunciado na quinta-feira pelo governo federal, já estava planejado anteriormente. A ministra afirmou que as medidas do pacote - que visam coibir a violência e o desmatamento - fariam parte de um plano de preservação ambiental da região, que seria anunciado no dia 21 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Marina, a morte da irmã Dorothy Stang -assassinada com seis tiros no sábado em Anapu, próximo a Altamira (777km de Belém) - antecipou o lançamento desse plano. ?Ninguém consegue criar um programa como esse em uma semana. O governo tem ações fortes em fase de implementação e que estão sendo reforçadas em memória da irmã Dorothy?, disse a ministra. Entre as medidas do pacote estão a criação de reservas ambientais e a instalação de um Gabinete de Gestão Integrado de Crise. Só no Pará, na chamada Terra do Meio (entre Altamira e São Félix do Xingu), serão criadas duas unidades de conservação de florestas que irão abranger 3,8 milhões de hectares - área equivalente a duas vezes o Estado de Sergipe. Além disso, o governo anunciou que uma área de 8,2 milhões de hectares de áreas federais localizada às margens da BR-163, no Pará, será interditada para estudos, visando a criação de futuras unidades de conversação. A ministra também negou que as medidas do governo possam ser chamadas de intervencionistas. Segundo ela, não existe ?Estado demais no Pará?, e sim ?Estado de menos?. Marina participou ontem da assinatura de um convênio técnico com a Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base). Segundo ela, o governo atual está fazendo pela região o que nenhum outro teve coragem de fazer. ?A Amazônia é metade do Brasil e durante um século não se olhou para essa metade. Estamos olhando para a Amazônia hoje. Irmã Dorothy Marina negou que o governo tenha sido omisso em relação às ameaças de morte sofridas pela irmã Dorothy. Segundo ela, a ?situação era muito delicada?, pois a irmã Dorothy se recusava a sair da região toda vez que o governo oferecia ?proteção?. E uma das exigências da proteção é sair do local onde a ameaça de morte foi feita. Marina elogiou o trabalho desenvolvido pela irmã na região. ?Dorothy foi como Moisés. Ela viu a Terra Prometida, mas não pôde entrar nela?, disse a ministra em referência a um trecho da Bíblia.