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Juiz decreta segredo de Justi�a nas investiga��es
KÁTIA BRASIL E SILVIO NAVARRO (FOLHAPRESS) O juiz substituto da comarca de Pacajá (PA), Lauro Alexandrino, decretou ontem segredo de Justiça no inquérito da Polícia Civil que investiga o assassinato da missionária Dorothy Stang, 73, ocorrido em Anapu (que fica na jurisdição da comarca de Pacajá), no Pará, no último dia 12. Em Altamira, a Polícia Civil indiciou (qualificou como suspeito) e tomou hoje o depoimento de Rayfran das Neves Sales, 27, conhecido como Fogoió, acusado de ter atirado contra a freira. No depoimento, de acordo com a polícia, ele assumiu a autoria dos disparos e afirmou que o foragido Uilquelano de Souza Pinto, conhecido como Eduardo ou Du, também atirou na missionária norte-americana. O depoimento de Fogoió, que chegou à delegacia com algemas nas mãos e nos pés, não foi acompanhado por um advogado. Ele foi indiciado por homicídio duplamente qualificado. Se condenado, pode receber pena de 12 a 30 anos de prisão. O depoimento foi presenciado por C.B.C., 49, testemunha ocular do assassinato de irmã Dorothy e que acusa Fogoió de autoria dos disparos. C.B.C. foi a Altamira (PA), hoje pela manhã, no mesmo helicóptero da Aeronáutica que foi usado pela Polícia Civil para deslocar Fogoió para prestar depoimento. Exército e polícia utilizaram mais de 60 homens na transferência dos dois. Foragidos Ontem, após o depoimento na Polícia Civil, Sales foi submetido a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal e foi levado para prestar depoimento na Polícia Federal. Um grupo de cerca de 50 pessoas se aglomerava em frente ao prédio da Polícia Federal em Altamira. Ele iria passar a noite na cadeia pública de Altamira, na qual está preso Amair Feijoli Cunha, acusado de co-autoria no assassinato. Continuam foragidos Uilquelano de Souza Pinto e o fazendeiro Vitalmiro de Moura Bastos, suposto mandante. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada. Defesa O advogado Augusto Septimio, que defende o fazendeiro Vitalmiro de Moura Bastos, descartou ontem a possibilidade de seu cliente se apresentar à polícia antes da conclusão dos inquéritos que estão em andamento. ?Ele não vai se entregar enquanto não estiverem concluídos os inquéritos. Não vejo essa perspectiva?, disse o advogado. Ainda de acordo com Septimio, o motivo de o fazendeiro não se entregar é ?para evitar ser exposto, como todo o inquérito vem sendo exposto?. O advogado afirmou também que a decisão da Justiça de determinar sigilo das investigações prejudica a defesa, ?mas, por outro lado, facilita, porque vinham sendo veiculadas informações conflitantes, inclusive de depoimentos à Polícia Civil?. Ele disse também que ?a Polícia Civil tem sido prematura acusando A ou B, prejudicando o andamento do inquérito?. Sobre seu cliente, afirmou que o último contato que teve com ele foi na sexta-feira (18) pela manhã. ?Ele não está na região, saiu daqui temendo pela vida?. Revogação No final da noite de ontem, o decreto que garantia o sigilo nas investigações sobre o assassinato da americana Dorothy Stang foi revogado. A revogação veio a pedido do Ministério Público Estadual do Pará, visando ajudar a força-tarefa criada para investigar o caso. Agora, sem o apoio do Judiciário, quem vai determinar a necessidade do sigilo será a polícia, que ainda tem a prerrogativa de manter o inquérito em segredo.