Nacional
Papa compara legaliza��o do aborto a apoio ao nazismo
O papa João Paulo 2º comparou a aprovação do aborto por legislativos nacionais ao consentimento dado pelo Parlamento alemão às políticas nazistas nos anos 1930 e 1940. ?Foi um Parlamento regularmente eleito que consentiu que Hitler chegasse ao poder na Alemanha?, diz o papa no livro ?Memória e Identidade?, lançado ontem em Roma. De acordo com o sumo pontífice, o apoio parlamentar ao nazismo é suficiente ?para ver com clareza que a lei estabelecida pelo homem tem limites precisos? e suscita um questionamento ?sobre escolhas legislativas decididas nos Parlamentos dos atuais regimes democráticos?. ?A referência mais imediata é à lei do aborto?, afirma o papa no livro. ?Quando um Parlamento autoriza a interrupção da gravidez, comete um grave abuso para com um ser humano inocente e privado de qualquer capacidade de autodefesa?. João Paulo 2º continua dizendo que os parlamentares que aprovam leis como a do aborto ?vão além de suas competências e se colocam em evidente conflito com a lei de Deus e com a lei da natureza?. Além do aborto, o papa também critica a aprovação de leis que permitem a eutanásia e uniões homossexuais. No livro, que será traduzido para dez línguas e lançado no Brasil, o papa também analisa os regimes totalitários e relembra os dramáticos momentos vividos durante o atentado que quase custou sua vida em maio de 1981. Sobre o comunismo, João Paulo 2º diz que o ?sistema? caiu em parte como resultado da ?doutrina econômica pobre? que o embasava, mas sugere que há razões divinas por trás do fim dos regimes marxistas.