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Crime no Par�: CPI quebra sigilo de fazendeiro
Brasília - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra aprovou ontem a quebra do sigilo bancário, assim como fiscal e telefônico, do fazendeiro Vitalmiro Gonçalves de Moura, conhecido como Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, 73, ocorrido no último dia 12, em Anapu (PA). Bida continua foragido. A rendição do acusado está sendo negociada por seu advogado desde sábado. A polícia acredita que ele deve se apresentar o mais rapidamente possível. Outros três acusados pela morte da freira ? Uilquelano de Souza Pinto, conhecido como Eduardo, mas que na verdade se chama Clodoaldo Carlos Batista; Rayfran das Neves Sales, o Fogoió; e Amair Feijoli da Cunha, o Tato ? já estão presos. A CPMI enviará um ofício ao Banco Central solicitando informações sobre as movimentações bancárias do fazendeiro, entre os anos de 1999 e 2005. ?A CPMI, quebrando o sigilo bancário, imediatamente encaminha ofício ao Banco Central, que passa a repassar as informações, da mesma forma à Receita Federal quanto ao sigilo fiscal. Obviamente, se houver um mandado de segurança, o [STF] Supremo Tribunal Federal delibera, mas nem sempre há recurso ao Poder Judiciário?, explicou o presidente da comissão, senador Álvaro Dias (PSDB-PR). De autoria do deputado Adão Pretto (PT-RS) e do senador Sibá Machado (PT-AC), o requerimento estende a quebra de sigilo a outros oito pecuaristas suspeitos de envolvimento em trabalho escravo, grilagem de terra, exploração ilegal de madeira e mau uso do dinheiro público, entre os quais os recursos repassados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), destinados ao desenvolvimento regional. Para Álvaro Dias, a quebra de sigilo se justifica devido à suspeita de irregularidade na aplicação de recursos públicos. ?Aprovamos a quebra do sigilo em função da aplicação de recursos da Sudam em projetos cuja irregularidade motiva suspeita. A própria irmã Dorothy, quando prestou depoimento à CPMI, informou que 17 projetos com recursos da Sudam estavam absolutamente irregulares?, ressaltou o senador. Segundo ele, esses financiamentos superam o valor de R$ 100 milhões. Na avaliação de Sibá Machado, para combater a ação de criminosos no Pará, é preciso investigar se há outras ações ilegais relacionadas. ?Só tem uma forma agora, é podermos investigar a conta dessas pessoas. Saber se elas, além de grilagem de terras, têm outras formas de envolvimento com coisas piores?. Reconstituição A reconstituição da morte da missionária deve acontecer hoje, segundo a polícia. Uma das armas usadas no assassinato já foi encontrada desde a terça-feira ? um revólver calibre 38, achado em uma área de assentamento do Incra, dentro de uma fazenda em Anapu, de propriedade de Vitalmiro Gonçalves de Moura.