Nacional
Viol�ncia j� faz a popula��o feminina superar a masculina
Rio - O aumento do número de mortes entre jovens do sexo masculino já começa a afetar a proporção de homens e mulheres no país, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. Além da expectativa de vida maior das mulheres, as mortes não-naturais (causadas por acidentes ou atos de violência) entre homens de 20 a 24 anos chegam a ser dez vezes maiores do que a de mulheres nesta mesma faixa etária. Nem sempre foi assim. De 1980 a 2003, o número de mortes por causas externas passou de 121 para 184 a cada 100 mil habitantes. Antes, as mortes por causas naturais superavam as violentas. Entre as mulheres, a taxa permaneceu praticamente inalterada neste período. Os jovens de 20 a 24 anos são os principais alvos de mortes violentas. Por isso, a sensação de que existem mais mulheres do que homens no país deixou de ser um presságio para se tornar uma estatística. Fatores naturais também interferem na defasagem, como a expectativa de vida. O brasileiro médio vive 71,3 anos. Já as mulheres vivem em média 75,2 anos. Os homens, 67,6 anos. Em 2003, a média era de 95,2 homens para cada 100 mulheres. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, no entanto, essa proporção chega a 86,5 homens para cada 100 mulheres. O excedente de mulheres cresceu 57% desde 1992. Em 2003, havia 4,3 milhões de mulheres a mais do que os homens no país. Não é só o Rio de Janeiro que sofre com a defasagem entre homens e mulheres. O Distrito Federal conta com apenas 87,6 homens para cada 100 mulheres. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a diferença entre as expectativas de vida em função do sexo permaneceu determinando um excedente de mulheres em relação ao número de homens. Existem estados em que o total de homens supera o de mulheres, como Amapá, Tocantins, Espírito Santo e Mato Grosso. Os movimentos migratórios específicos também contribuem para alterar a proporção. Os nordestinos são o grupo de maior peso na população de emigrantes brasileiros e representam cerca de 57%. A região Sudeste mantém sua tradição de maior pólo de atração dos emigrantes nordestinos, já que 70,7% se dirigiram para esta região. O segundo grupo que historicamente mais emigrou tem como origem o Sudeste, com 20,6% do total de emigrantes. Eles se dirigem em sua maioria para a região Centro-Oeste (37%) em razão dos movimentos de ocupação das últimas fronteiras agrícolas. Educação Parte dos estudantes brasileiros encontra dificuldades para concluir os estudos em razão da oferta restrita de estabelecimentos do ensino médio, principalmente nos municípios de menor porte. Este é um dos aspectos de destaque da Síntese do IBGE. Segundo o instituto, a legislação atual justifica que 65,2% dos estabelecimentos de nível médio se encontrem no âmbito estadual. Para suprir a demanda crescente de estudantes, a rede privada tem ocupado este espaço. Ela corresponde a um terço dos estabelecimentos de ensino médio no país.