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Morte de mission�ria: prefeito �de Anapu � acusado no crime
Anapu - Os dois pistoleiros acusados de assassinar a missionária Dorothy Stang, 73, no último dia 12, em Anapu (PA), disseram ontem que o prefeito da cidade, Luiz dos Reis Carvalho (PTB), está envolvido no crime. Os pistoleiros e Amair Feijoli da Cunha, o Tato, suposto intermediário do crime, foram ouvidos pela Comissão Externa do Senado, criada para acompanhar as investigações sobre a morte da freira. A comissão é presidida pela senadora Ana Júlia (PT-PA), que estava acompanhada do vice-presidente da comissão, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), do relator senador Demóstenes Torres (PFL-GO), e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Segundo o senador Demóstenes Torres, Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e Clodoaldo Carlos Batista, conhecido como Eduardo, mencionaram o envolvimento do prefeito no pagamento de um advogado para defendê-los. ?O Rayfran e o Clodoaldo reconhecem que, quando chegaram à fazenda do Bida [Vitalmiro Bastos de Moura], o mandante, ele teria dito para que fugissem para a floresta e, se fossem presos, negassem que tanto ele quanto o Tato tiveram participação no crime. Também, que eles arrumariam um advogado na ordem de R$ 50 mil a R$ 100 mil para custear isso. E que fariam uma coleta, não especificou entre quem, mas uma coleta para recolher esse dinheiro. No momento, eles mencionaram o nome do prefeito de Anapu. No momento em que se falou de coleta, se falou também no nome do prefeito?, revelou o senador. Demóstenes Torres disse ainda que os dois presos reafirmaram tudo o que haviam dito para a polícia. Sobre as acusações, o prefeito de Anapu, Luiz dos Reis Carvalho, disse que os presos não disseram a verdade. ?Acho que foram muito infelizes no que disseram. Fiquei muito indignado ao saber. Não conheço os assassinos, conheço o Bida. Se ele estiver na cidade, eu sei quem é ele?, disse o prefeito, que participou de uma audiência pública na Câmara dos Vereadores de Anapu, com a presença da comissão do Senado. Inquérito As polícias Federal e Civil devem entregar hoje à Justiça o inquérito concluído sobre o assassinato da missionária, cumprindo o prazo penal estabelecido para o processo, que é de dez dias, a contar da data da prisão do primeiro acusado, o Tato. Ele se apresentou no sábado, dia 19, à Polícia Civil do Pará em Altamira. A comissão do Senado pede o encerramento do inquérito policial que apura o caso para que seja remetido à Justiça estadual, inviabilizando assim que se impetre um habeas corpus, que pode livrar os presos. Além disso, os senadores informaram que autos complementares de inquérito policial serão instaurados pelas polícias Civil e Federal. ?A idéia é investigar, principalmente, se outras pessoas participaram do consórcio para o pagamento dos executores?, disse o senador. Mandante O acusado de ser o mandante do crime, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida, negocia sua entrega ? por meio de advogados ? com a cúpula da Polícia Federal. Três agentes do FBI (Polícia Federal dos EUA), que acompanham as investigações do caso, visitaram no fim de semana o local onde a missionária foi assassinada.