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H�lio Jaguaribe � eleito para a Academia Brasileira de Letras
Rio - O sociólogo Hélio Jaguaribe tornou-se ontem o mais novo integrante da Academia Brasileira de Letras ao conquistar o voto de 35 dos 39 acadêmicos da casa (dois votos foram em branco e houve duas abstenções). Numa votação rápida, que terminou em menos de meia hora e contou com a presença de 26 acadêmicos no plenário, Jaguaribe foi eleito para a cadeira número 11, sucedendo Celso Furtado, que morreu em 20 de novembro de 2004. O sociólogo disputou a vaga com Nelson Valente, Paulo Hirano e Marco Aurélio Lomônaco Pereira e, desde o início, sua vitória era dada como certa. Em 2002, Jaguaribe perdeu a vaga para o escritor Paulo Coelho e chegou a dizer que não se candidataria mais, mas mudou de idéia quando acadêmicos disseram a ele que Celso Furtado queria o sociólogo como seu sucessor na ABL. Jaguaribe é autor de 20 livros, co-autor de outro tanto e se candidata pela terceira vez. Nas duas primeiras, concorreu com o escritor Paulo Coelho para a vaga que havia sido do economista Roberto Campos. A eleição, em março de 2002, em que também concorria o diplomata Mário Gibson Barbosa, não teve vencedores, pois nenhum dos três conseguiu os 19 votos necessários então para se eleger, mesmo tendo havido quatro escrutínios. No segundo pleito, Gibson Barbosa retirou-se e Paulo Coelho recebeu 22 votos, uma diferença pequena e animadora para quem perdeu, no entender dos outros imortais. No fim das contas, Jaguaribe acha que foi até melhor deixar para ocupar a cadeira número 11. ?Fico feliz de ocupar a vaga que foi de Celso Furtado, um grande amigo e um intelectual que sempre admirei. Não tinha intenção de concorrer de novo, mas decidi quando me contaram que ele dizia que, se morresse antes de mim, gostaria de me ver em seu lugar?, contou Jaguaribe. Aos 82 anos, Jaguaribe tem uma longa história como pensador e professor. Considera Estudo Crítico da História, publicado em dois volumes pela editora Paz e Terra, sua principal obra e, apesar de não ser um político de carreira, foi ministro de Ciência e Tecnologia no governo do presidente Fernando Collor.