Nacional
Sarney: sem for�a no Congresso e no Maranh�o
Principal articulador no Congresso Nacional durante os dois primeiros anos do governo Lula, o ex-presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), perdeu parte de sua força política com a eleição das novas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Sem conseguir emplacar aliados para os cargos importantes no comando das duas Casas Legislativas, Sarney deve passar os próximos dois anos atuando não mais na linha de frente, mas nos bastidores da política nacional. Além das derrotas que sofreu no Congresso Nacional, o peemedebista ainda enfrenta pela primeira vez uma ameaça real de perder espaço no seu Estado de origem. Eleito pelo Amapá, Sarney é a principal liderança política no Maranhão há décadas, mas vê seu legado em risco pelo atual governador, José Reinaldo Tavares (PTB), um ex-aliado insurgente. O trabalhista já lidera uma corrente denominada ?Frente de Libertação do Maranhão?, composta por seis partidos (PDT, PSB, PTB, PCdoB, PMN e PAN) dispostos a ocupar o lugar do clã Sarney no Estado. ?É a primeira vez que há uma tentativa real de união em torno de um candidato. Os métodos de agressão, calúnia, poder de dono do Estado e os resultados de todos os anos de dominação dos Sarney estão se esgotando?, disparou o governador maranhense. O movimento levou o cacique a até ameaçar retornar para o Maranhão e disputar o governo contra José Reinaldo, que deve sair candidato à reeleição em 2006. Os adversários do senador, no entanto, não acreditam que levará a idéia até o fim, porque a troca de domicílio eleitoral obrigaria Sarney a renunciar ao mandato de senador, um ano antes do pleito. ?Não acredito nesta hipótese. Há uma dificuldade legal para isso, já que ele teria que abrir mão da cadeira no Senado?, avalia José Reinaldo. ?Além disso, há a expectativa da derrota?, alfineta. A iniciativa da oposição maranhense aos Sarney vai ecoar no Palácio do Planalto. Sarney é aliado de Lula e negocia o ingresso da filha Roseana em um ministério. O problema é que José Reinaldo, desde o final de 2004, também apóia o governo federal. O governador avisa que em 2006, Lula terá que decidir em qual palanque vai subir. ?Não vamos aceitar neutralidade. Lula terá o nosso apoio para sua reeleição, mas terá que dar uma contrapartida?, alerta o trabalhista. Engolindo em seco Em Brasília, a série de derrotas começou com o engavetamento da emenda constitucional que permitiria a reeleição de Sarney à presidência do Senado. O alagoano Renan Calheiros (PMDB) conseguiu derrubar a proposta ainda na Câmara dos Deputados e ainda impôs ao partido apoio integral ao seu nome para a sucessão de Sarney. O senador teve que engolir a seco a derrota, e apoiar o ex-adversário. O prêmio de consolação do Planalto pelo comportamento quando presidente será o ministério para Roseana Sarney (PFL-MA). A vaga foi, inclusive, negociada pelo próprio Renan como estratégia para sua chegada ao comando do Senado. O cientista político Eduardo Magalhães, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), analisa que a manobra impediu Sarney de tentar minar o nome de Renan nos bastidores. /// Sem cargo, com prestígio Na eleição para as Mesas da Câmara e do Senado, Sarney sofreu outro golpe: não elegeu nenhum de seus amigos para os cargos de maior visibilidade no comando das duas Casas. Ao contrário, só emplacou o nome de Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO) para a quarta-secretaria e o de Papaléo Paes (PMDB-AP) para uma das vagas de suplente. Na Câmara, o apoio de Sarney, inclusive, atrapalhou a eleição de César Bandeira (PFL-MA) para a primeira secretaria. Quando souberam que o pefelista tinha como cabo eleitoral o ex-presidente do Senado e o Palácio do Planalto, o PSDB e o PFL determinaram o voto em José Thomaz Nonô (PFL-AL). No Senado, o efeito foi o mesmo. Efraim Morais (PFL-PB) alardeou que seu adversário Edson Lobão (PFL-MA) fora indicado por Sarney e ficou com a vaga. Lobão relativiza o enfraquecimento de Sarney. Na avaliação do ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Sarney é uma liderança inata que por seu histórico político jamais poderá ser considerado fraco e ignorado nas grandes negociações. ?A fortaleza dele não se mede por cargos que os amigos obtiveram na Mesa. Ele é um ex-presidente da República, um dos mais influentes e antigo da política. Ele não precisa de cargos para ter prestígio?, afirma. O governador José Reinaldo também admite que a força política de Sarney ?ainda não se esgotou?. ?Ele ainda é forte, mas o tratamento que dá aos amigos e suas posições estão minando seu poder político. O que aconteceu em Brasília é um retrato do que já está acontecendo no Maranhão?, avalia.