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Reforma ministerial domina pauta em Bras�lia

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Brasília - Encerrado o debate sobre o aumento de 67% nos salários dos deputados e senadores, o foco das atenções políticas da capital federal estará voltado nesta semana para o prometido anúncio da reforma ministerial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana passada, o próprio Lula comunicou ao PMDB que tinha intenção de acabar com as especulações sobre a troca de cadeiras na Esplanada depois que retornasse do Uruguai e tão logo o partido resolvesse a indefinição quanto à liderança da bancada da Câmara. A expectativa quanto ao destino dos integrantes do primeiro escalão para que o assunto seja encerrado já no início da semana aumentou, no entanto, depois que o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), afirmou no Uruguai que a reforma seria posta em marcha a partir de segunda-feira, mas ninguém sabe ao certo quando a reforma será feita, já que um dia depois da afirmação de Mercadante, o presidente veio a público para dizer que ainda não começou a pensar na troca de nomes e que a reforma será feita ?sem pressão e sem pressa?. O elemento complicador, desta vez, é o destino do próprio presidente. Nesta semana, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), analisa o pedido do líder do PSDB, deputado Alberto Goldmann (SP), de abertura de processo contra Lula por crime de responsabilidade. Como está nas mãos do pernambucano, Lula não quer vincular a reforma, que abrirá espaço no primeiro escalão ao partido de Severino, ao provável engavetamento do pedido tucano. As primeiras conversas são com o PMDB. Lula tem reunião prevista para segunda-feira com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o senador José Sarney (PMDB-AP) para definir as cadeiras que o partido terá direito nesta recomposição do time e, sobretudo, o destino de Roseana Sarney (PFL-MA). Área social A maranhense, que a princípio teria sido sondada para o Ministério do Planejamento no lugar de Guido Mantega, deve mesmo ficar com uma pasta mais ligada à área social. O Planejamento pode ir para o fluminense Jorge Bittar (RJ), numa forma de compensação ao PT do Rio de Janeiro, que hoje não ocupa nenhum cargo importante na administração federal. Há outros nomes nesta jogada, mas Bittar conta com duas vantagens: seria um contraponto ao secretário de governo do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), e tem experiência na área orçamentária, já que foi relator da proposta aprovada pelo Congresso Nacional para 2004. Descartado o Planejamento, a pasta mais cobiçada pelos negociadores de Roseana é o Ministério das Cidades. A resistência dentro do PT para entregar a cadeira responsável pelas áreas de habitação e saneamento, no entanto, é grande. A saída do atual titular Olívio Dutra (RS) é dada como certa. Seu endereço mais provável é a embaixada do Uruguai. Outra pasta que deve sofrer mudanças é a da Previdência, hoje nas mãos do senador Amir Lando, do PMDB. Depois de um ano no comando do ministério, o partido avalia que Lando não conseguiu se impor e negocia a conquista de uma pasta ?com caneta e tinta? ou a troca de titular. O nome mais cotado para a vaga é o do ex-tucano Romero Jucá (PMDB-RR), como prêmio pelo seu comportamento na relatoria da reforma e na elaboração do Orçamento deste ano. Além de resolver a questão do PMDB, o presidente Lula ainda precisa definir como fica a situação do PP de Severino Cavalcanti (PE). Depois da inesperada vitória em 14 de fevereiro, nomes do PP chegaram a dizer que não precisavam mais de ministério. Os progressistas mudaram de idéia e avisaram a Lula que querem sim uma vaga de peso na Esplanada. ?Se for para ter o Ministério dos Esportes ou da Pesca é melhor não ter. Acho que dez ministérios está de bom tamanho, já que temos que deixar alguma coisa para o PT. Pode ser o da Pesca para eles?, ironiza o deputado Ciro Nogueira (PP-PI). Os progressistas estão de olho em nada menos que o Ministério da Saúde, pasta com o maior Orçamento da Esplanada. Além de ser figura carimbada em todas as previsões de troca de ministros devido a sua relação conflituosa com a base aliada, o titular Humberto Costa (PE) é o candidato do PT ao governo de Pernambuco em 2006. ?Acho difícil, se o presidente Lula quer ter mesmo uma base unida, manter um ministro como Humberto Costa, que não atende nem líder de partido, quanto mais deputado. Mas seria arrogância do PP dizer que quer ter esse ou aquele ministério?, continua o progressista. Consolação A cadeira inicialmente cotada para o PP ? Esportes, hoje nas mãos do comunista Agnelo Queiroz (DF) ? deve permanecer sob o comando do PCdoB como um prêmio de consolação. A cadeira mais importante do partido ? a Articulação Política ? deve voltar para as mãos do PT. Os petistas responsabilizam o ministro Aldo Rebelo pela derrota na Câmara e reivindicam o cargo. A situação de Rebelo ficou ainda mais delicada na semana passada, depois da publicação de uma entrevista do secretário-geral do PT, Silvio Pereira, na qual pede abertamente sua substituição. O ministro se viu obrigado a telefonar para o presidente nacional do PT, José Genoino, para cobrar uma posição oficial do partido, o que aumentou o constrangimento. O nome em estudo no PT para o lugar de Rebelo é do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), hoje sem cargo, já que o partido cedeu a vaga de presidente da Comissão de Relações Exteriores ? tradicionalmente ocupada pelo ex-comandante da Câmara ? ao PFL. Para reacomodar os aliados, o presidente Lula pode usar de outras pastas cobiçadas pelos partidos, já que a idéia é desocupar os gabinetes de quem tem aspirações eletivas em 2006. Neste grupo há pelo menos dois ministros: Marina Silva (Meio Ambiente), que deve tentar a reeleição como senadora pelo Acre, e Nilmário Miranda (secretaria nacional de Direitos Humanos), que pode sair candidato em Minas Gerais. Ricardo Berzoini (Trabalho) é cotado para ocupar a presidência do Banco do Brasil, o que abre uma pasta de visibilidade para os aliados. Indefinição Há ainda a indefinição quanto à força política de Miguel Rosseto frente ao Desenvolvimento Agrário e quanto ao destino de Eunício Oliveira (Comunicações) e Ciro Gomes (Integração Nacional). Rosseto vem sendo bombardeado por ser o responsável pelos números negativos da reforma agrária. Já Eunício e Ciro contam com a simpatia do presidente Lula, mas o PMDB já avisou que está insatisfeito com as Comunicações e Ciro, que foi desligado do PPS pela direção do partido depois que os pós-comunistas abandonaram a base aliada, perde força política para comandar um ministério considerado importante pelos aliados. Para continuar na pasta, Ciro estuda a migração para o PSB, o que aumentaria a força dos socialistas no primeiro escalão, já que o nome de Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) sequer é citado nas especulações de troca de cadeiras.

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