Nacional
Corte em gasto federal atinge sobretudo os investimentos
Brasília - Os cortes de gastos federais impostos por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiram mais os investimentos (42%) do que o custeio da máquina pública (12%), segundo portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União que circulou ontem. Os cortes somaram R$ 15,9 bilhões das despesas de investimento e custeio autorizadas pela lei orçamentária para 2005. Os investimentos caíram de R$ 21,4 bilhões para R$ 12,4 bilhões. As despesas com custeio, de R$ 65,9 bilhões para 58,7 bilhões, de acordo com o limite de gastos fixados por portaria. A diferença refere-se a uma reserva técnica. Entre os investimentos, estão gastos com manutenção e restauração de rodovias, tidos como prioritários nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Ministério dos Transportes foi alvo do maior corte de investimentos (R$ 2,6 bilhões), mas é também a pasta que mais terá dinheiro para investir este ano (R$ 3,6 bilhões). Além do pagamento de diárias e passagens e a compra de material de escritório, por exemplo, são consideradas despesas de custeio da máquina pública os principais programas sociais do governo, como pagamento da bolsa-família, que destina de R$ 15 a R$ 95 por mês a famílias com renda até R$ 100 por pessoa. O Ministério do Desenvolvimento Social, que paga a maior parte dos benefícios, tem o terceiro maior gasto de custeio autorizado na Esplanada. Só perde para os ministérios da Saúde e da Educação, responsáveis pela manutenção do Sistema Único de Saúde e das universidades federais, respectivamente. O Ministério da Saúde, dono do maior orçamento de toda a Esplanada, não teve corte na previsão de investimento de R$ 2,6 bilhões para o ano. A Constituição garante gastos crescentes nessa área. É por isso que a pasta terá mais verbas para atender às emendas apresentadas por deputados e senadores para beneficiar suas bases eleitorais, sobretudo com obras de saneamento. Os números divulgados pelo governo indicam que o ministro Ciro Gomes teve uma promoção em relação a controle de verbas públicas na provável troca do Ministério da Integração Nacional pela Saúde.