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Mortalidade infantil � acima da m�dia no Semi-�rido, diz Unicef
Brasília - Um relatório inédito do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que analisou a situação de crianças e adolescentes do Semi-árido brasileiro, mostra que a desnutrição e a mortalidade infantil são os principais empecilhos para o futuro da região. Em 95% dos 1.444 municípios analisados, a taxa de mortalidade infantil é superior à média nacional (36,1 por mil habitantes) e a desnutrição atinge 10% das crianças de até dois anos em um terço das cidades. O Semi-árido se estende por municípios no interior dos nove estados do Nordeste, norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. São áreas com chuvas irregulares e que apresentam reservas insuficientes de água em seus mananciais. Vivem na região mais de 27 milhões de pessoas - 11 milhões delas entre zero e 17 anos. O estudo do Unicef, lançado durante a 32ª Sessão do Comitê Permanente de Nutrição das Nações Unidas, em Brasília, analisou dados do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2003. Dois indicadores serviram de base: a desnutrição em crianças com menos de dois anos e a quantidade de recém-nascidos de gestantes que fizeram menos de quatro consultas pré-natal - a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um mínimo de seis consultas até o nascimento. Os dados mostraram que em 426 municípios, a maioria com programas em que agentes de saúde visitam as casas, 75% das gestantes realizam menos de quatro consultas pré-natal. Segundo os especialistas, a falta de acesso da mulher aos serviços de saúde durante a gravidez põe em risco a vida da criança. Além disso, a mãe mal nutrida tem um impacto direto no bebê, que terá grandes chances de nascer desnutrido e ter seu desenvolvimento prejudicado. A fragilidade das crianças e adolescentes do Semi-árido é agravada pelo fato de viverem em famílias de baixíssimos recursos: em 75% delas, a renda per capita é de menos de meio salário mínimo. Em conseqüência, uma a cada seis crianças de 10 a 15 anos trabalha e cerca de 350 mil crianças entre 10 e 14 anos estão fora da escola. Do total de não-alfabetizados entre 12 e 17 anos no Brasil, 43% estão no Semi-árido. Para a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, o Semi-árido é um dos exemplos mais cruéis da desigualdade em países como o Brasil. Para ela, é preciso medidas emergenciais na região. ?O Semi-árido é um imenso desafio para o Brasil, mas é também uma oportunidade que exige de nós criatividade e políticas públicas consistentes?, diz ela. Segundo ela, uma política que demora quatro anos para surtir efeito é fatal para crianças que estão nascendo agora e têm uma das principais fases de desenvolvimento até os três anos.