Nacional
MORTE DE MISSION�RIA: fazendeiros t�m processo na Sudam
Agência Folha Belém Dois dos três fazendeiros citados no depoimento à Polícia Federal por Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, 73, enfrentam processos por envolvimento no caso Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Em seu depoimento à PF, no último domingo, embora não tenha acusado diretamente nenhum fazendeiro da região de Anapu (oeste do Estado), onde a missionária foi morta, Bida confirmou seu envolvimento com Regivaldo Galvão (conhecido como Taradão) e Délio Fernandes. ações civil e penal Apontado como um dos maiores proprietários de terras na região da rodovia Transamazônica, Fernandes responde a ações civil e penal sob a acusação de desvio de recursos da Sudam. Os documentos que relatam a atuação de Délio Fernandes, Regivaldo Galvão e um terceiro fazendeiro citado por Bida, Luiz Ungaratti, compõem um arquivo de mais de 500 páginas, organizado pelo Ministério Público Federal, em Belém. Criada para disponibilizar recursos para o desenvolvimento da região Norte, a Sudam foi extinta em fevereiro de 2001. O principal motivo que levou o governo a acabar com o órgão foi o grande número de denúncias de desvios de recursos públicos que seriam destinados para projetos de desenvolvimento. No total, o rombo nas contas da Sudam chegou perto dos R$ 2 bilhões. Num dos casos de desvio de verbas, surge o nome do então presidente do Congresso Nacional, hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA). Os processos do caso Sudam acabaram desmembrados. Após se entregar à polícia, na região de Altamira, a cerca de 140 km de Anapu, Bida disse ter pedido ajuda a Fernandes, alguns dias após o assassinato da missionária. No depoimento, Bida também comentou seu envolvimento com Regivaldo Galvão, que teria lhe vendido uma fazenda dentro da área do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, ao preço de R$ 1 milhão. De acordo com o Ministério Público Federal, Galvão também foi processado no caso Sudam. Galvão já havia sido denunciado por Dorothy Stang ao Ibama por corte de madeira sem autorização do governo federal. Ele foi multado em R$ 750 mil.