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Nº 5717
Nacional

Dom Evaristo quer fim de celibato para padres

São Paulo – O cardeal d. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito (aposentado) de São Paulo, defende a abolição do celibato para os padres diocesanos, mas não acredita que essa medida venha a ser adotada enquanto João Paulo II viver. No momento, a questão e

Por | Edição do dia 01/05/2002 - Matéria atualizada em 01/05/2002 às 00h00

São Paulo – O cardeal d. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito (aposentado) de São Paulo, defende a abolição do celibato para os padres diocesanos, mas não acredita que essa medida venha a ser adotada enquanto João Paulo II viver. No momento, a questão está oficialmente fora de discussão. “A decisão dependeria do papa, mesmo que tivesse a aprovação da maioria dos bispos”, observou d. Paulo. O cardeal revelou que, no começo dos anos 70, o papa Paulo VI lhe disse que permitiria que os padres casassem, se houvesse consenso a esse respeito no episcopado mundial. Não havia. No caso de abolição do celibato, que foi instituído pela Igreja por volta do ano 1000, a dispensa valeria apenas para o clero diocesano ou secular, ou seja, para os sacerdotes que trabalham nas dioceses sob jurisdição dos bispos. Os religiosos, que pertencem a ordens ou a congregações, continuariam celibatários, porque fazem votos de pobreza, obediência e castidade. “O celibato seria opcional para os padres diocesanos e obrigatório para os religiosos”, disse d. Paulo hoje. Essa mudança poderá ocorrer nos próximos anos, se um dos sucessores de João Paulo II pensar como Paulo VI. “É possível que, acompanhando a evolução da sociedade, a maioria dos bispos venha a apoiar essa proposta”, prevê o cardeal. Em sua avaliação, o fim do celibato não prejudicaria o trabalho pastoral dos padres diocesanos. D. Paulo lembra o exemplo não só dos pastores evangélicos, mas também dos sacerdotes católicos que, fora da Igreja de rito latino, podem ser casados e, nessa condição, exercem com dedicação e eficiência o seu ministério. D. Paulo adverte que não defende essa posição por causa das denúncias de crimes de pedofilia e de outros abusos sexuais que envolvem sacerdotes. “Não se deve misturar pedofilia com celibato nessa discussão”, aconselha o cardeal, insistindo que uma coisa nada tem a ver com a outra.

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