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Alencar diz que juros impedem reajuste

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| PEDRO SOARES Agência Folha Ao comentar ontem no Rio de Janeiro os protestos de militares por reajustes salariais, o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, culpou os juros altos adotados pelo Banco Central. São eles, segundo Alencar, os responsáveis pela ?dura?? e ?difícil?? situação orçamentária, que impede correções nos soldos da categoria. Indagado por jornalistas sobre a possibilidade de o governo conceder aumento aos militares, Alencar respondeu: ?O orçamento passa por uma fase dura. Temos de verificar o que pode ser feito. O quadro é muito difícil. Porém, sabemos que o grande problema do orçamento está na rubrica juros, no que se refere à dívida pública brasileira??. Ao falar dos juros, o vice-presidente foi mais longe, dizendo que as elevadas taxas (as maiores do mundo, lembrou ele) impossibilitam investimentos em áreas ?essenciais??. ?Isso está errado. É por isso (juros altos) que não há recursos para as necessidades essenciais: educação, saúde, saneamento, estradas e também a recuperação das (perdas salariais) das Forças Armadas e de outras categorias.?? De acordo com Alencar, o Brasil pratica a maior taxa real (descontada a inflação) de juro do mundo, muito à frente de qualquer outra nação. ?Está situada acima da média dos 40 países que têm Banco Central e que usam a política monetária como instrumento para controlar a inflação (assim como o Brasil)??, afirmou o vice-presidente, após solenidade em homenagem ao Dia Nacional da Aviação de Caça, na base aérea de Santa Cruz (zona oeste do Rio). Nesse conjunto de países, a taxa real de juro é de 1%, enquanto o juro real no Brasil está na casa dos 13%, segundo ele. A taxa básica Selic foi elevada pelo Copom nesta semana para 19,5% - houve alta de 0,25 ponto percentual na última reunião do comitê. Mas considerando uma inflação estimada de 6,5% para 2005, a taxa real fica na casa de 13%. ?Isso significa 13 vezes mais do que a média de 40 países??, afirmou. ?Se considerarmos apenas países emergentes, como o Brasil, a desproporção permanece grande?, diz Alencar.

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