Nacional
Ministro bate boca com senadores
Leila Suwwan Agência Folha Em uma audiência pública que durou cerca de cinco horas, ontem, em Brasília, senadores do PFL bateram boca e atacaram o ministro Humberto Costa (Saúde) que, irritado, chegou a dar um soco na mesa. A audiência serviu para o PFL como uma espécie de contra-ataque político após a decisão do Supremo Tribunal Federal de derrubar a intervenção na Saúde no Rio de Janeiro. As críticas pefelistas partiram do presidente e do líder do partido, senadores Jorge Bornhausen (SC) e José Agripino (RN). Entre os dois, completava o pelotão o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), filho do prefeito carioca César Maia - presidenciável que agora busca reverter o desgaste político causado pela ação do governo federal. AO ATAQUE Bornhausen partiu diretamente ao ataque ao dizer que o ministério não sabe sequer gerir os hospitais federais no Rio, acusando o ministro de deixar pessoas morrerem de câncer nas filas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). ?Saúde é coisa séria. Não é para fazer política e ser candidato para governador em Pernambuco?, disse o catarinense. Negando motivações eleitorais, Costa respondeu dizendo que ninguém pode negar que a situação do Rio era de calamidade pública. ?De qual instrumento dispõe o povo diante de um governo que deixa a situação chegar ao descalabro que chegou? Acha vossa excelência justo que o povo e o parlamento assista de braços cruzados??, disse Costa, começando a elevar a voz. ?Somos chamados de autoritários por fazer o que era necessário, mas porque ninguém quer entrar no mérito? Estão bradando pelo país inteiro uma decisão judicial que é justa, mas vocês acham justo um prefeito que deixa faltar medicamentos, fecha salas de cirurgia, não acontece nada e ainda quer fazer discurso político de grande gestor?? concluiu, dando um soco na mesa. DEMAGOGIA Bornhausen rebateu na hora, insultando o ministro: ?Aqui não é casa para demagogia. O senhor é o ministro dos vampiros, ministro da falta de remédios. Perdeu de dez a zero no Supremo porque foi arbitrário?, disse, sem ser interrompido pela ordem. ?A melhor defesa é o ataque para quem é incompetente, ineficiente e incapaz. A intervenção foi feita para ficar no cargo, para conseguir se pendurar?, completou, sendo interrompido, pela ordem, pelo senador petista, Tião Viana, que defendeu Humberto Costa.