Nacional
Governo perde de novo para a oposi��o
FELIPE RECONDO Folhapress O governo sofreu na manhã de ontem mais uma derrota na Câmara dos Deputados com a eleição do secretário de Justiça de São Paulo e presidente da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), Alexandre de Moraes, indicado pelo PFL e PSDB, para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável pelo controle externo do Poder Judiciário. Os líderes haviam fechado um acordo para que o nome do candidato indicado pelo governo, Sérgio Renault - da Secretaria da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça -, fosse aprovado para o CNJ. Descumprido Em contrapartida, os deputados da base apoiariam a indicação de Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque - apadrinhado do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE) - para o Conselho Nacional do Ministério Público. Ao final da contagem, no entanto, a primeira parte do acordo foi descumprida e Moraes recebeu 183 votos contra 154 de Renault. Albuquerque, pai de um assessor de Severino, recebeu 294 votos e foi eleito para o Conselho do Ministério Público com folga. ?Foi uma vitória da oposição porque minha candidatura foi apresentada pelo PFL e pelo PSDB, mas tivemos votos de outros partidos?, afirmou Moraes. De acordo com ele, deputados do PMDB e do PL o apoiaram. Apoio do PP Outros congressistas acreditam que o PP também apoiou a oposição. ?Ao que tudo indica, o acordo foi descumprido?, afirmou José Eduardo Cardozo (PT-SP). Sérgio Renault, que acompanhou desde o início as negociações da Reforma do Judiciário, deixou o plenário com um discurso diplomático, mas não escondeu a decepção. ?Não era uma indicação do governo. Não era uma indicação política?, ponderou. Febem Alexandre de Moraes disse ainda que não sabe se continuará à frente da Febem, embora a instituição passe por mais uma de suas crises, com denúncias de maus-tratos, constantes rebeliões e fugas em massa. Como o Conselho Nacional de Justiça precisa ainda definir seu regimento, Moraes não sabe se conseguirá acumular as funções. Mesmo assim, o secretário deixou evidente que quer manter todas as suas funções. ?Eu gosto de trabalhar, já venho acumulando alguns cargos?, afirmou. Alexandre de Moraes disse que conversará com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e esperará a definição do regimento do Conselho para saber se poderá continuar acumulando todas as funções. A eleição de Moraes ocorreu um dia depois da 23ª rebelião da Febem neste ano, que ocorreu na quarta-feira, quando os internos do complexo do Tatuapé (zona leste de São Paulo) se rebelaram durante aproximadamente oito horas. Dez internos e 40 funcionários ficaram feridos. Ontem, mais uma vez, os internos da Febem promoveram um motim, desta vez, na unidade Raposo Tavares, zona oeste de SP. Alexandre de Moraes e Francisco Albuquerque serão sabatinados nas próximas semanas pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Aprovados, os nomes seguem para o plenário para conseqüente aprovação.