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MST afirma que Estado deve colaborar com manifesta��o

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FOLHAPRESS O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) considera normal o recebimento de ajuda financeira por parte de órgãos públicos para a realização de atos programados pelos sem-terra. ?É uma obrigação do Estado colaborar com as nossas manifestações?, disse Valquimar Reis, um dos coordenadores nacionais do MST. Na última terça-feira, o Ministério Público de Goiás abriu inquérito para apurar se o governo estadual e a Prefeitura de Goiânia cometeram crimes ao doar cerca de R$ 500 mil para ajudar na marcha que os sem-terra fazem até Brasília - a manifestação começou há nove dias, em Goiânia. Ontem, acampados a 90 km de Brasília, os sem-terra reagiram à medida adotada pelo Ministério Público. ?O que o governo de Goiás e a prefeitura liberaram foi uma ajuda humanitária para custear as nossas despesas com infra-estrutura (água, refeições, transporte e instalação de banheiros químicos)?, disse Reis. A deputada federal Luci Choinacki (PT-SC) foi ainda mais dura nas críticas ao promotor Fernando Krebs, autor do pedido de investigação. ?Os brasileiros, por meio dos impostos, pagam o salário do procurador. Eu só não entendo por que ele não age com tanta rapidez para investigar o dinheiro que o governo estadual libera para os promotores das exposições agropecuárias que acontecem no Estado?. De acordo com a parlamentar, a medida adotada pelo Ministério Público de Goiás é ?uma perseguição política e ideológica contra o MST?. Também integrante da direção nacional do MST, Rosana Fernandes defendeu a doação do governo e da prefeitura. ?O número de sem-terra que participa da caminhada até Brasília (12 mil, de acordo com a Polícia Militar) é equivalente à população de centenas de cidades brasileiras. Se não tivéssemos o apoio financeiro, certamente aconteceria um caos durante as nossas paralisações para descanso, porque teríamos de usar a infra-estrutura das cidades, que não comportam todas as nossas atividades.? De acordo com o Ministério Público de Goiás, o procurador-geral do Estado, João Furtado de Mendonça Neto, será convocado para explicar o valor repassado aos sem-terra. O coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, também deverá prestar depoimento à Justiça. Com uma grande infra-estrutura (280 ônibus, 48 caminhões, cem banheiros químicos e seis ambulâncias), os sem-terra que iniciaram a Marcha Nacional pela Reforma Agrária em Goiânia estão a 90 quilômetros de Brasília - a chegada à capital federal está prevista para a próxima terça-feira. Em média, os sem-terra têm caminhado 17 quilômetros por dia, sempre em fila tripla -as crianças (120, no total) e os responsáveis pela montagem dos acampamentos vão à frente, em ônibus e caminhões. Acompanhados por policiais rodoviários, os sem-terra consomem 250 mil litros de água por dia e cerca de 16.500 refeições. ?Se não houvesse a ajuda financeira de órgãos públicos e outras entidades simpáticas à reforma agrária, certamente não teríamos condições de empreender uma marcha como esta?, disse um dos coordenadores do MST Valquimar Reis.

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