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Queimadas avan�am por todo o Brasil

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FOLHAPRESS Queimadas e desmatamentos deixaram de ser um problema restrito às fronteiras agrícolas e ao Arco do Desmatamento e passaram a atingir todos os estados. Esta é uma das principais conclusões da pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que investiga o meio ambiente nos 5.560 municípios brasileiros. Os dados são de 2002, mas a pesquisa sobre as condições ambientais nos municípios é inédita e aponta tendências e problemas nas diferentes unidades da federação. O estudo conclui que, embora as queimadas e os desmatamentos sejam mais freqüentes no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, elas se tornaram um problema generalizado: prefeituras de todas as unidades da federação informaram a ocorrência deste tipo de agressão ao meio ambiente. A exceção ficou por conta da Amazônia Ocidental (parte do Amazonas, sul de Roraima e parte do Acre) onde municípios contíguos que abrangem grandes extensões de terra não informaram aos pesquisados terem se defrontado com queimadas ou desmatamentos. Os principais danos causados pelos desmatamentos e queimadas são a destruição da vegetação, de hábitats, a morte de animais, a extinção local de espécies, a perda de matéria orgânica no solo e a sua exposição à erosão. Além disso, contribuem também para o efeito estufa com a liberação de grandes quantidades de gás carbônico para a atmosfera e são também a causa de poluição do ar mais freqüentemente citada pelas prefeituras. A pesquisa detectou a ocorrência de duas novas frentes de desmatamento. Os focos ainda não são visíveis em fotografia por satélite, mas já causam preocupação entre os prefeitos. Os novos focos podem estar localizados no Amapá e no norte do Pará. Segundo o IBGE, outro bioma sob ameaça é o cerrado do oeste da Bahia. Nesta região, muitos gestores reportaram ocorrências de queimadas e desmatamentos que alteraram a qualidade de vida e a paisagem. Para o instituto, este pode ser um sinal da expansão agropecuária que já substituiu parte dos cerrados que existiam no Brasil Central por plantações de soja. A pesquisa não se limita a apontar os problemas, mas também verifica como a ocorrência de interferências no meio ambiente recebe tratamento distinto nas regiões brasileiras. ### Poluição em Maceió não é significativa A pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) derruba o mito de que poluição do ar está relacionada principalmente à existência de fábricas, indústrias e ao excesso de veículos nas ruas. Para a maioria dos brasileiros, as queimadas e a poeira das vias não pavimentadas são os principais fatores responsáveis pela poluição do ar. Segundo o Anuário Estatístico dos Transportes de 2001, a malha rodoviária brasileira tinha mais de 1,7 milhão de quilômetros, mas apenas 10% estavam pavimentados. O estudo analisou as respostas dos 5.560 municípios brasileiros. A poluição do ar atinge 22% dos municípios. As localidades que enfrentam o problema concentram quase metade da população (85 milhões) e 54% dos municípios afetados estão localizados no Sudeste. Embora a industrialização tenha um peso forte na poluição das grandes metrópoles, as causas mais apontadas foram: queimadas (64%), vias não pavimentadas (41%), atividade industrial (38%), atividade agropecuária, com poeira, pulverização de agrotóxicos (31%) e veículos (26%). Na maioria dos casos, a poluição do ar é resultado de fatores múltiplos. Em 70% dos municípios, o problema é causado por dois ou mais fatores, a média é de 2,5 razões. Apenas Ipojuca, no Pernambuco, apresentou todas as nove causas de poluição atmosférica: agropecuária, indústrias, queima de lixo, mineração, odores de lixo, queimadas, termelétrica, veículos automotores e vias não pavimentadas. As queimadas predominam entre as cidades menores, elas atingem 61% das localidades com até 20 mil habitantes. Entre os municípios de 20 mil a 100 mil moradores, este percentual sobe para 69%. Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, as queimadas ficam em terceiro lugar no ranking de causas, atrás da atividade industrial e dos veículos automotores. Em números absolutos, a poluição do ar afeta 21% dos municípios do Nordeste e 19% do Sudeste. A poluição do ar é ainda mais freqüente entre as grandes cidades e atinge 75% dos 33 municípios com mais de 500 mil moradores. Neste grupo, as prefeituras de Manaus, Belém, Teresina, Natal, Recife, Maceió, Curitiba e Porto Alegre informaram não ter poluição atmosférica significativa, embora pelo menos três (Recife, Curitiba e Porto Alegre) sejam conhecidos como municípios que enfrentam problemas de qualidade do ar. Entre os municípios que relataram sofrer com a poluição do ar, 57% afirmaram ter legislação ambiental específica sobre qualidade do ar, 16% disseram que fazem o licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras e 14% afirmaram já ter cassado a licença de funcionamento de atividades poluidoras. O destaque no combate à poluição é o Estado do Rio, onde 55% dos municípios que apresentam o problema já suspenderam temporariamente o funcionamento de atividades poluidoras. Além de piorar as condições de vida da população, a degradação ambiental pode resultar também em prejuízos para atividades econômicas primárias como pesca, agricultura e pecuária. Segundo o IBGE, quase a metade (46,6%) dos municípios brasileiros afirmaram que, em 2001, ao menos uma dessas três atividades foram prejudicadas por alterações no meio ambiente.

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