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Governo Lula prepara pacote de promessas para o MST
Eduardo Scolese Luiz Francisco Folhapress O governo federal preparou um pacote de promessas para anunciar ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que hoje à tarde marcha em Brasília com 15 mil integrantes para pressionar o governo Luiz Inácio Lula da Silva a realizar a reforma agrária. Por depender de dotação orçamentária, a maioria da promessas é de difícil cumprimento nos prazos e na quantidade desejada pelo movimento. A Marcha Nacional pela Reforma Agrária, depois de percorrer 200 km entre Goiânia e Brasília nas últimas duas semanas, chegou ontem ao centro da capital federal. Hoje, os sem-terra vão percorrer a Esplanada dos Ministérios, passar em frente ao Palácio do Planalto e, por fim, realizar um ato diante do Congresso. Assim como os presidente Severino Cavalcanti (Câmara) e Renan Calheiros (Senado), Lula deve receber uma comissão do MST hoje. Entre as medidas a serem anunciadas, está a promessa de desbloquear o Orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário. No início do ano, houve um corte de R$ 2 bilhões de um total R$ 3,7 bilhões previstos para 2005, o que fez o ministro Miguel Rossetto diminuir a perspectiva de assentamentos para 40 mil famílias até dezembro, ante uma meta de 115 mil famílias. O MST quer o cumprimento da meta. Na pressão No governo Luiz Inácio Lula da Silva, as promessas de desbloqueio de verbas para a reforma agrária são comuns nos momentos de pressão dos sem-terra. Em março do ano passado, por exemplo, quando os sem-terra anunciaram e cumpriram uma onda recorde de invasões, Lula prometeu para até o final daquele ano uma suplementação de R$ 1,7 bilhão ao Desenvolvimento Agrário. Até dezembro, porém, apenas um terço do valor foi liberado. No mês passado, o fato se repetiu. Com as reclamações públicas de Rossetto e as pressões do MST diante dos cortes, o Planalto prometeu desbloquear R$ 400 milhões para a pasta. Até agora, porém, apenas R$ 250 milhões foram efetivamente liberados. Outro ponto na resposta do governo à Marcha Nacional pela Reforma Agrária é o chamado compromisso de cumprir as metas de assentamentos. Até agora, o governo Lula não cumpriu nenhuma delas. Em 2003 houve a promessa de assentar 60 mil famílias, mas somente 36,8 mil foram atendidas.