Nacional
Deputados que pediram propina ser�o investigados
Sílvio Navarro Folhapress A Assembléia Legislativa de Rondônia instalou ontem uma comissão, formada por cinco deputados, para investigar as denúncias feitas pelo governador Ivo Cassol (PSDB) contra um grupo de dez deputados, acusados de negociar propina em troca de apoio político no Legislativo. A divulgação de fitas de vídeo nas quais sete deputados estaduais, que diziam falar em nome de um grupo de dez parlamentares, aparecem pedindo propina ao governador gerou uma série de protestos e abriu uma crise entre o Executivo e o Legislativo no Estado. Nas gravações, exibidas no domingo pelo ?Fantástico?, da Rede Globo, os deputados parecem negociar o pagamento de R$ 50 mil por mês para cada um do grupo em troca de apoio político para aprovar projetos no Legislativo. Cassol afirma ter sido o autor das filmagens, feitas em seu escritório. O secretário de Comunicação do governo rondoniense, Sérgio Pires, disse que as gravações foram feitas ?no final de 2003?. Não soube, entretanto, precisar as datas e não quis explicar por que o material não foi divulgado antes. Em diferentes conversas, aparecem negociando propina os deputados Ellen Ruth (PP), Ronilton Capixaba (PL), Daniel Nery (PMDB), Emílio Paulista (PPS), Kaká Mendonça (PTB), João da Muleta (PMDB) e Amarildo de Almeida (PDT). ?Ninguém está comprando ninguém. Dentro do Orçamento do Estado você está levando o seu como executor. Porque isso é de praxe. Você não vai consertar o mundo, nós não vamos. Não adianta dizermos para (deputados) que isso não acontece na sua administração, eles não vão acreditar?, diz na gravação. Na seqüência, o deputado Ronilton Capixaba oferece em troca do dinheiro: ?Nós vamos pegar (o dinheiro) e sentar (na Assembléia) e dizer sim, sim. Aí vamos para o sítio, Rio de Janeiro, para onde houver sol?, diz Ronilton Capixaba. Os deputados sugerem governador o superfaturamento contrato com uma empresa responsável pelos postos de vigilância. Em outro trecho, o deputado Amarildo de Almeida a dispensa de licitação para favorecer uma empresa. Os também contêm denúncias corrupção contra o ex-governador do Estado, o atual senador Valdir Rau. ### Rede Globo vai recorrer de decisão do TJ A Rede Globo informou ontem que recorrerá da decisão do Tribunal de Justiça de Rondônia que suspendeu a veiculação de fitas com imagens de deputados estaduais pedindo dinheiro ao governador Ivo Cassol (PSDB). A liminar atinge a emissora em todo o território nacional e atendeu a um pedido assinado por 21 parlamentares. O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, criticou a decisão do desembargador, classificando-o de ?lamentável?. A liminar foi concedida pelo desembargador Gabriel Marques às 19h45 (20h45 em Brasília) de domingo. A Rede Amazônica (afiliada da Globo em Rondônia) foi notificada cinco minutos depois, pouco antes de a reportagem ir ao ar no programa ?Fantástico?, mas não houve tempo para impedir a veiculação no resto do País. Segundo a assessoria de imprensa da Rede Globo, a emissora só tomou conhecimento da proibição depois que as imagens foram levadas ao ar. O texto da matéria, divulgado no site do ?Fantástico?, foi tirado do ar e a reportagem não foi exibida nas reprises do programa no canal Globonews e na Globo Internacional. Embora o TJ tenha estipulado multa de R$ 200 mil caso as cenas fossem exibidas, o departamento jurídico da Rede Globo entende que não houve descumprimento, já que a emissora não havia sido informada da determinação. Para a Globo, tecnicamente, apenas a afiliada teve condições de suspender a veiculação a tempo. Num despacho manuscrito, o desembargador alegou que a divulgação das imagens constituía ?ataque da imprensa sem possibilidade de defesa? e ?violação da vida privada, da lisura e da imagem das pessoas, além do mal que causa à população e ao Estado?. O procurador-geral Claudio Fonteles considera que a decisão configura uma forma de censura: ?Isso é lamentável?, afirmou.