Nacional
Oposi��o quer CPI para apurar den�ncia
FOLHAPRESS Brasília A oposição no Congresso começou a articular ontem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista, que está sendo chamada de ?CPI da Mesada?, para investigar as suspeitas de corrupção envolvendo indicados do PTB para os Correios. A ação veio acompanhada da insistência no discurso de que o episódio não se restringe ao PTB, mas que se trata de um escândalo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. ?O PFL acha que essa é uma questão do governo, que o indicou, e não uma questão do partido. Não dá para jogar tudo nas costas do PTB?, disse Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL na Câmara. O PT e partidos governistas são contra a CPI, com o argumento de que o episódio já está sendo devidamente investigado. A Polícia Federal recebeu a determinação, por exemplo, de apurar o caso. O Palácio do Planalto, que publicamente procura manter distância da repercussão política do caso, já orientou o PT e os aliados que ainda obedecem ao governo a não alimentar a possibilidade de CPI. Reportagem da revista ?Veja? desta semana mostra gravação em que o chefe do departamento de contratação e administração de material, Maurício Marinho, acerta um esquema de cobrança de propina para facilitar o estabelecimento de contratos com a estatal. Marinho foi indicado ao cargo pelo diretor de Administração, Antônio Osório Batista, que ocupava a função por indicação do PTB e que pediu ontem afastamento. Na gravação, Marinho dizia agir sob ordens do presidente nacional do partido, deputado Roberto Jefferson (RJ), um dos principais aliados do governo federal. Jefferson fará discurso hoje na Câmara para se defender e dizer que não conhecia Marinho. Líderes do PSDB e do PFL devem começar também hoje a coleta de assinaturas para a CPI, cujo requerimento de criação foi apresentado ontem pelos líderes da oposição na Câmara dos Deputados, José Carlos Aleluia (PFL-BA), e no Senado, José Jorge (PFL-PE). Para instalar a CPI mista, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. ?Não é o governo que está sob suspeita, é o Congresso inteiro?, disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). ### Governo e base aliada tentam evitar instalação Os partidos de oposição, PFL e PSDB têm, juntos, 29 senadores e 113 deputados. Para viabilizar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), esperam contar com apoio de outras legendas de oposição, como PDT e PSOL, além de setores do PMDB. ?O episódio revela as nefastas conseqüências da partidarização e do loteamento de cargos públicos promovidos pelo governo Lula?, afirma o requerimento para instalação da CPI. O líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), afirmou que o partido não se oporá a uma CPI. ?Não tem nenhum problema. Nós é que temos interesse em que tudo seja resolvido.? Minar O PT ontem mesmo começou o trabalho de minar a constituição da CPI, argumentando que o episódio é um fato isolado para o qual já foram tomadas providências. ?Entendo o posicionamento da oposição em tentar colocar a apuração desse desvio em uma CPI. Mas é apenas o diálogo de um chefe de departamento?, disse o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS). Para ele, o governo foi ?ágil? ao determinar a apuração por uma comissão interna e pela Polícia Federal. Segundo Delcídio, o uso do nome de Jefferson por Marinho pode ser falso. ?Já tivemos casos de pessoas que, para mostrar poder, acenaram com relações absolutamente fictícias.? O partido conseguiu o apoio da liderança do PMDB. O líder do partido no Senado, Ney Suassuna (PB), afirmou que as providências já foram tomadas. ?O País precisa de paz. Não é preciso CPI para esse assunto.? De acordo com os tucanos, a investigação, se aberta, se dará também em outras estatais.